Meloni envia 500 militares a Milão após protestos e saques
Governo italiano aprovou decreto de segurança após confrontos no fim de semana; proposta de dar poderes de polícia aos soldados ficou fora do texto.
O governo da primeira-ministra Giorgia Meloni aprovou nesta terça-feira (20/10) um decreto de segurança e confirmou o envio de mais 500 militares a Milão, na Itália. A medida foi anunciada após protestos, confrontos com a polícia e saques no centro da cidade no sábado (17/10) e no domingo (18/10).
O reforço foi anunciado por integrantes do governo e mantido após a reunião do Conselho de Ministros, segundo a Euronews. O objetivo declarado pelo governo é ampliar a presença da operação Strade Sicure, que emprega militares no apoio à segurança em áreas urbanas.
A versão aprovada não incluiu a proposta de conceder aos soldados poderes de polícia judiciária. O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, havia anunciado essa possibilidade antes da votação. A agência Adnkronos informou que o trecho foi retirado após questionamentos dos gabinetes da Presidência da República italiana.
Meloni envia 500 militares a Milão: o que mudou no decreto
Meloni reuniu ministros e chefes das forças de segurança na segunda-feira (19/10) para discutir uma resposta aos episódios do fim de semana. O envio dos militares foi anunciado pelo vice-primeiro-ministro Matteo Salvini e confirmado por Tajani antes da aprovação do decreto.
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O texto também cria uma infração para a participação violenta em manifestações, conforme explicação divulgada por Meloni após a reunião do governo. Ela disse que a regra alcança quem integra um grupo de pelo menos cinco pessoas e lança pedras, artefatos explosivos ou outros objetos capazes de colocar pessoas em risco. A pena anunciada pode chegar a cinco anos de prisão, além de multa de até 20 mil euros.
As medidas ainda dependem da publicação do texto final para que seu alcance jurídico seja conhecido em detalhe. A previsão de dar atribuições de polícia aos militares constava das discussões, mas não passou para a versão aprovada.
Como começaram os confrontos em Milão
Segundo a Associated Press, a manifestação de sábado contra guerras e o aumento do custo de vida começou de forma pacífica. Depois, pessoas encapuzadas lançaram pedras e outros objetos contra policiais, incendiaram barricadas e saquearam lojas na região da Piazza del Duomo. A polícia usou canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar grupos.
Os incidentes continuaram no domingo. A ANSA relatou que grupos quebraram vitrines e invadiram estabelecimentos comerciais. Mais de 270 pessoas foram levadas à polícia nos dois dias, de acordo com a agência. Esse total não equivale, por si só, ao número de presos após a análise de cada caso.
Prefeito cobra resposta além da segurança
O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, disse nesta terça-feira que a cidade está preocupada com a possibilidade de novos episódios no próximo sábado. Ele defendeu uma discussão sobre as causas do descontentamento dos jovens, além das medidas de repressão à violência.
O envio do reforço militar e as novas regras passam agora à fase de aplicação. A composição das patrulhas e a data em que os 500 soldados começarão a atuar na cidade ainda não haviam sido detalhadas pelo governo nas informações divulgadas até esta terça-feira.
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