Aldo Rebelo, ex-ministro de Lula e Dilma, declara apoio a Flávio no 2º turno
Quatro vezes ministro em governos do PT, ele diz que a esquerda abandonou o nacionalismo e até o verde e amarelo; Mangabeira Unger também fecha com Flávio
Aldo Rebelo, que foi ministro de Lula e de Dilma Rousseff, declarou apoio a Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno da eleição presidencial. Para explicar a virada, o ex-dirigente do PCdoB foi direto: a esquerda abandonou o nacionalismo e “até as cores do verde e amarelo”.
O apoio foi selado numa conversa reservada na quarta-feira (21), no aeroporto de Jundiaí, no interior de São Paulo. O encontro durou cerca de uma hora. Ao lado de Aldo estava outro ex-integrante dos governos petistas: Roberto Mangabeira Unger, professor de Direito em Harvard, que também fechou com Flávio.
A adesão chega a poucos dias da votação. Flávio enfrenta Lula neste domingo (25).
Por que Aldo Rebelo declarou apoio a Flávio
Segundo Aldo, foi Flávio quem pediu a conversa. Os três trataram de crescimento econômico, Amazônia, defesa e política externa. O ex-ministro relatou que o candidato do PL disse que levaria as ideias “em consideração”.
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Aldo negou qualquer negociação de cargos. Afirmou ainda ter descartado um convite para o Ministério do Meio Ambiente num eventual governo Flávio.
O argumento central do ex-ministro mira o campo que ele ajudou a governar. Na leitura de Aldo, a esquerda deixou para trás a defesa da nação e dos símbolos nacionais, bandeira que hoje está do lado de Flávio.
Quem são os ex-aliados de Lula que mudaram de lado
O peso da adesão está no currículo. Aldo construiu a carreira no PCdoB, partido aliado do PT por décadas. Presidiu a Câmara dos Deputados de 2005 a 2007. No governo Lula, comandou a Coordenação Política, o coração da articulação do Planalto com o Congresso. Com Dilma, foi ministro do Esporte, da Ciência e Tecnologia e da Defesa.
Mangabeira Unger chefiou a Secretaria de Assuntos Estratégicos nos governos de Lula e de Dilma. Era o homem encarregado de pensar o projeto de país do PT a longo prazo.
Em 2026, Aldo tentou a Presidência como pré-candidato pelo DC. Em julho, assumiu a coordenação política da campanha de Ronaldo Caiado (PSD). Agora, no 2º turno, escolhe Flávio contra o antigo chefe.
Oposição ao PT soma apoios na reta final
O movimento não ficou restrito aos dois ex-ministros. O professor de filosofia Gustavo Castañon, da UFJF, aliado de Ciro Gomes, também esteve no aeroporto. Ele não participou da conversa reservada, mas declarou apoio a Flávio. Justificou a decisão principalmente pela oposição ao PT, disse não se considerar bolsonarista e contou ter deixado o PDT recentemente.
Castañon afirmou que os ex-ministros buscavam compromissos de Flávio com a soberania nacional. Defendeu autonomia do Brasil diante dos Estados Unidos e da China.
O que vem agora
A votação do 2º turno acontece neste domingo, 25 de outubro. Lula chega à urna vendo dois nomes que ajudaram a montar seus governos pedirem voto no adversário. Para quem passou anos ao lado do PT, o recado de Aldo é que a esquerda deixou de falar em nome do país.
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