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Território Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Economia

Investidores derrubam Bolsa em 17%, travam B3 e afundam EWZ após reeleição de Lula

Ibovespa vai a 170 mil pontos, pregão para pela primeira vez desde março de 2020, dólar salta de R$ 4,99 para R$ 5,60 e o EWZ desaba 26% em Nova York

Investidores derrubam EWZ em 26% em Nova York após reeleição de Lula
Reprodução/Valor

O primeiro pregão depois da reeleição de Lula parou a Bolsa brasileira. O Ibovespa despencou mais de 10% logo no início desta segunda-feira (26), e a B3 acionou o circuit breaker, a interrupção automática das negociações em quedas bruscas. O pregão ficou suspenso por cerca de meia hora.

Foi a primeira vez desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19, que a Bolsa precisou travar os negócios. A volta não trouxe alívio. Às 11h28, o índice caía 17,15%, aos 169.917 pontos. Na sexta-feira (23), tinha fechado em 205.082 pontos.

O dólar foi junto. A moeda americana, que fechou a sexta a R$ 4,99, chegou a R$ 5,60 às 9h30, alta de 12,5%. Às 11h32, ainda subia 9,82%, a R$ 5,47.

A reeleição de Lula e o recado do mercado

O pessimismo apareceu já no mercado futuro, onde o Ibovespa chegou a cair 19%, aos 168 mil pontos.

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“A reeleição de Lula exige uma reavaliação do prêmio de risco dos ativos brasileiros”, avaliou a Monte Bravo. Analistas apontam as incertezas sobre a trajetória das contas públicas e o rumo da política econômica no quarto mandato.

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo o TSE. Foi a primeira vez que um candidato atrás no primeiro turno virou a disputa.

EWZ despenca com a reeleição de Lula e arrasta ações brasileiras

O aviso veio de Nova York antes de a B3 abrir. O EWZ, principal fundo de ações do Brasil negociado no exterior, despencava 26,04% no pré-mercado às 5h34, cotado a US$ 31,30. Às 6h, a queda chegou a 27,40%.

O tombo começou na própria noite da apuração. Às 21h52 de domingo (25), o fundo já recuava 17,97% no pós-mercado, a US$ 34,94. Por volta de 1h20, a perda era de 19,61%.

Na madrugada, as ações e ADRs brasileiras no pregão noturno de Nova York operavam todas no vermelho. PagSeguro caía 19,49%, XP perdia 19,47%, Itaú Unibanco recuava 17,79% e Bradesco, 17,69%. A Petrobras perdia 15,90% nas ações ordinárias. As exportadoras, que ganham com o dólar alto, sofreram menos: Vale recuava 4,19% e Embraer, 1,20%.

No contrato futuro negociado em Chicago, o real caía 10,14% de madrugada, o equivalente a um dólar de cerca de R$ 5,57. A cotação da B3 confirmou o recado horas depois.

Mercado apostava em Flávio e agora cobra a conta

Analistas dizem que boa parte do mercado contava com a vitória de Flávio Bolsonaro e já tinha precificado uma mudança de rumo.

“A vitória do presidente Lula não era o nosso cenário base. Trabalhávamos com um leve favoritismo de Flávio Bolsonaro, e o mercado via a possibilidade de mudança de governo e de uma agenda mais liberal”, disse Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research.

Gabriel Pinheiro, da GT Capital, foi na mesma linha. “O mercado passou o mês de outubro comprando a tese de alternância de poder”, afirmou. Para ele, o problema central é a falta de compromisso fiscal: “O mercado vai cobrar prêmio até enxergar um plano fiscal crível”.

Na noite de domingo, Pinheiro estimava queda de 5% a 9% na abertura e via o Ibovespa testando 170 mil pontos só num cenário pior, nas próximas semanas. O índice chegou lá na primeira manhã. Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, tinha avisado: “A bolsa vai devolver tudo e mais um pouco”.

O quarto mandato de Lula ainda nem começou, e a conta já chegou no primeiro dia útil depois da eleição.

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Redação Território
Redação Território
· atualizada em 26 de outubro, 11h44

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