Investidores derrubam EWZ em 26% em Nova York após reeleição de Lula
Principal fundo de ações brasileiras no exterior desaba no pré-mercado, ADRs de Itaú, Petrobras e PagSeguro afundam e o real perde 10% em Chicago
O mercado deu sua resposta à reeleição de Lula antes mesmo de a bolsa brasileira abrir. O EWZ, principal fundo de ações do Brasil negociado em Nova York, despencava 26,04% no pré-mercado às 5h34 desta segunda-feira (26), cotado a US$ 31,30. Às 6h, a queda chegou a 27,40%.
O tombo começou na própria noite da apuração. Às 21h52 de domingo (25), com o resultado confirmado, o fundo já recuava 17,97% no pós-mercado, a US$ 34,94. De madrugada, por volta de 1h20, a perda era de 19,61%.
Lula foi reeleito para o quarto mandato com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), segundo o TSE. Foi a primeira vez que um candidato atrás no primeiro turno virou a disputa.
EWZ despenca com a reeleição de Lula e arrasta ações brasileiras
A queda não ficou no fundo. Por volta de 1h desta segunda, as ações e ADRs brasileiras no pregão noturno de Nova York operavam todas no vermelho, em comparação com o fechamento de sexta-feira (23).
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Os bancos e as empresas financeiras lideraram o estrago. PagSeguro caía 19,49%, XP perdia 19,47%, Itaú Unibanco recuava 17,79% e Bradesco, 17,69%. A Stone cedia 16,11%.
A Petrobras perdia 15,90% nas ações ordinárias e 15,81% nas preferenciais. Braskem caía 12,94%, TIM 10,22% e Ambev 10%.
As exportadoras, que ganham com o dólar alto, sofreram menos. Gerdau recuava 6,86%, Vale 4,19% e Embraer 1,20%.
Real perde 10% e dólar vai a R$ 5,57
A moeda brasileira também apanhou. No contrato futuro negociado na bolsa de Chicago, o real caía 10,14% de madrugada, a US$ 0,17940 por real. O valor equivale a um dólar de cerca de R$ 5,57, contra R$ 5,01 no fechamento de sexta-feira. É uma referência, não a cotação oficial, que só sai com a abertura do mercado brasileiro.
Em poucas horas, o país perdeu o ganho que vinha acumulando com a expectativa de troca de governo.
Mercado apostava em Flávio e agora cobra a conta
Analistas dizem que boa parte do mercado contava com a vitória de Flávio Bolsonaro e já tinha precificado uma mudança de rumo.
“A vitória do presidente Lula não era o nosso cenário base. Trabalhávamos com um leve favoritismo de Flávio Bolsonaro, e o mercado via a possibilidade de mudança de governo e de uma agenda mais liberal”, disse Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research. Segundo ele, essa expectativa impulsionou a bolsa, principalmente depois do primeiro turno.
Gabriel Pinheiro, da GT Capital, foi na mesma linha. “O mercado passou o mês de outubro comprando a tese de alternância de poder”, afirmou. Para ele, o problema central é a falta de compromisso fiscal: “O mercado vai cobrar prêmio até enxergar um plano fiscal crível”.
Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, foi direto: “A bolsa vai devolver tudo e mais um pouco”. Ele disse trabalhar com um cenário de Ibovespa entre 175 mil e 180 mil pontos para o ano que vem.
O que vem agora na bolsa brasileira
A abertura da B3 nesta segunda vai mostrar se o tombo de Nova York se repete aqui. “Acredito em queda forte na Bolsa amanhã e em um pregão muito volátil”, disse Pinheiro na noite de domingo.
Ele estima que o Ibovespa caia de 5% a 9% logo na abertura, para a faixa de 185 mil a 195 mil pontos. Num cenário pior, o índice pode testar 170 mil pontos nas próximas semanas. Pinheiro não descarta o acionamento do circuit breaker, a interrupção automática do pregão em quedas bruscas.
“A segunda-feira pode ser bastante volátil, porque haverá uma correção de rota e de ânimo do mercado”, resumiu Sung. A conta do quarto mandato começa a ser cobrada já no primeiro dia útil depois da eleição.
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