‘Prefeito bandido’: Lula ataca após falta de ônibus; SP diz ter tido menos de 12h
Presidente sobe o tom em pleno dia de votação; prefeito de Salvador rebate o PT, e a Prefeitura de São Paulo diz que foi notificada às 13h10 da véspera
O presidente Lula (PT), candidato à reeleição, partiu para o ataque neste domingo (25), dia do segundo turno, ao comentar a falta de ônibus em São Paulo e Salvador. “Não vamos permitir que haja roubalheira, que haja banditismo, que haja empresário mau caráter e prefeito bandido”, disse a jornalistas.
Os prefeitos responderam. Em Salvador, Bruno Reis (União Brasil) acusa sindicalistas de terem colado adesivos do PT nos ônibus de madrugada, o que atrasou a saída da frota. Em São Paulo, a Prefeitura afirma que teve menos de 12 horas para cumprir a ordem de pôr 100% dos ônibus na rua: a notificação da Justiça Eleitoral chegou às 13h10 de sábado (24), e às 13h32 as concessionárias dos 32 lotes já estavam avisadas.
A ofensiva petista foi além das palavras. A campanha de Lula pediu à Justiça a prisão do secretário municipal de Mobilidade Urbana de São Paulo, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges. É um pedido. Não há decisão. E, no fim da tarde, o ministro Cristiano Zanin, do STF, ex-advogado de Lula e indicado por ele ao Supremo, atendeu à coligação petista e estendeu a votação até as 19h em todo o país.
Lula fala em ‘prefeito bandido’ e pressiona o TSE por causa dos ônibus
Na mesma fala, Lula classificou as restrições de transporte nas duas capitais como “inexplicável” e cobrou diretamente o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, e o vice, ministro André Mendonça. Queria a votação estendida até as 19h em São Paulo e Salvador.
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“Eles têm que prorrogar esse horário eleitoral para não permitir que as pessoas que foram prejudicadas de manhã”, afirmou.
O presidente também atacou o secretário de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, alvo de ordem de prisão do presidente do TRE-BA, Maurício Kertzman. “A Justiça mandou prender, mas parece que ele está em Paris”, disse. E completou: “Nós vamos ter que prendê-lo quando ele voltar”.
Antes de encerrar, ainda com as urnas abertas, Lula já falava em resultado: “Eu vou almoçar porque eu quero comemorar a minha vitória de barriga cheia”.
Bruno Reis rebate o PT: ‘A frota está aí, rodando’
O prefeito de Salvador negou ter reduzido a frota e devolveu a acusação ao PT. “De manhã cedo, os sindicalistas foram para lá e adesivaram os ônibus com adesivo do PT”, disse. “O dono da empresa disse que os ônibus não iam sair, porque era crime, e acabou atrasando.”
Para Reis, o tumulto foi armado. “Foi um problema no início da manhã causado por eles mesmos, para terem discurso, ir para Justiça e ter fato político”, afirmou. Ele falou em “problemas operacionais na garagem” e em “mobilizações políticas na hora dos ônibus”, e garantiu: “A frota está aí à disposição, rodando, vai transportar o eleitor gratuitamente”.
O prefeito lembrou que a cidade já dava passagem grátis no dia da eleição “mesmo quando não havia uma lei que estabelecia o transporte gratuito nos dias da eleição”. Sobre Pablo Souza, disse que o secretário está na França a convite do presidente Emmanuel Macron, volta na segunda-feira (26) e é “um cara super preparado”. A procuradoria do município vai pedir habeas corpus.
Mesmo assim, o TRE-BA mandou recompor 100% da frota sob multa de R$ 1 milhão por hora para a Secretaria de Mobilidade e as concessionárias. A federação do PT pediu multa no mesmo valor contra o próprio Bruno Reis e os donos das empresas. A Prefeitura afirma que a operação já foi normalizada.
O que diz a Prefeitura de São Paulo
Na capital paulista, a ordem partiu do juiz Tiago Ducatti Machado, da 1ª Zona Eleitoral, no sábado, depois de ação de parlamentares do PSOL. Ele mandou a cidade oferecer 100% da frota no domingo, com base na resolução do TSE que exige transporte coletivo no dia da votação com a mesma frequência dos dias úteis.
A decisão atendeu à coligação de Lula, que alegou que a capital rodaria com apenas 60% dos ônibus. O número é da campanha petista.
A Prefeitura criticou o fato de a ordem ter saído “a menos de 24 horas do pleito”, mas disse que as áreas responsáveis “cumprirão a determinação judicial, ainda que desnecessária”. A SPTrans afirma que usou como base a operação do domingo anterior, com 6,9 mil ônibus, e que “a ampliação da frota em prazo tão reduzido impõe desafios operacionais concretos”.
Ao longo do domingo, a campanha voltou à Justiça Eleitoral para acusar a Prefeitura de manter só 60% da frota mesmo depois da decisão. A representação é assinada por Monica das Pretas (PSOL), pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e por Luana dos Santos Alves da Silva, e cita relatos de poucos ônibus no Itaim Paulista, na Zona Leste. Nenhum dos pedidos de prisão contra a gestão paulistana foi atendido até agora.
Zanin, ex-advogado de Lula, estende a votação no país todo
O pedido de prorrogação travou no TSE. Nunes Marques deu 30 minutos para o TRE-BA e a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifestarem sobre Salvador antes de decidir.
Quem decidiu foi Zanin. Ao julgar reclamação da coligação de Lula, que apontava falta de ônibus em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas, o ministro mandou adiar em duas horas, até as 19h, o fim da votação “em todas as seções de todo o Brasil”, citando “a gravidade dos fatos narrados”. Coube ao TSE cumprir.
A campanha de Flávio Bolsonaro também havia pedido mais tempo em 17 municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, por causa de chuva, alagamentos e vias interditadas.
No fim, o pedido do PT foi atendido por um ministro que Lula levou ao Supremo, enquanto o presidente segue tratando prefeitos eleitos como “bandidos” em pleno dia de votação, sem nenhuma condenação que sustente a acusação.
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