‘Ditador chinês’: três marcas da China rompem com Mbappé, e TV estatal tira jogos do ar
Dongpeng, Mengniu e Milkground cortam contratos com efeito imediato; Pequim apoia o boicote, e o atacante do Real Madrid pede desculpas em três línguas
Kylian Mbappé perdeu três patrocinadores na China nesta terça-feira (27) por causa de uma piada. A gigante de bebidas Dongpeng, a Mengniu, maior produtora de laticínios do país, e a fabricante de queijos Milkground encerraram os contratos com o atacante do Real Madrid com efeito imediato.
O motivo é um vídeo de bastidores de um podcast francês, gravado em abril, que viralizou na segunda-feira (26). Nele, Mbappé conta que o meme que mais o fez rir trazia o rosto dele montado sobre o de “um cara”, que ele descreve como “um ditador chinês”. O jogador não diz o nome, mas a figura foi associada a Mao Tsé-tung, fundador da China comunista.
A reação do regime veio em bloco. A TV estatal suspendeu as transmissões da La Liga e de todos os jogos com Mbappé e tirou do ar os anúncios com o jogador. O governo de Pequim saiu em defesa do boicote.
A piada do ‘ditador chinês’ que custou contratos a Mbappé na China
As três empresas usaram a mesma fórmula para justificar a ruptura: “tolerância zero” com qualquer fala ou atitude que ofenda os “sentimentos nacionais”. A Dongpeng anunciou o fim de “toda a cooperação” com o francês.
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O rosto de Mbappé estampava propagandas de bebidas isotônicas, leite e queijo em estações de metrô e elevadores pelo país. Nas redes chinesas, o fim do contrato com a Dongpeng virou o assunto mais comentado do Weibo, ao lado de uma campanha de torcedores pelo boicote ao jogador, com mensagens dizendo para ele não pisar na China.
O China Media Group, conglomerado estatal que controla a CCTV, confirmou a suspensão a partir de segunda-feira, citou as “declarações muito graves” do jogador e cobrou desculpas de Mbappé e do Real Madrid.
Pequim apoia o boicote
O Ministério das Relações Exteriores da China tratou a reação como natural. Segundo a chancelaria, palavras que ferem os sentimentos do povo chinês “naturalmente encontrarão a oposição conjunta de todos os setores da sociedade chinesa”.
O episódio expõe o peso que o Partido Comunista ainda dá à imagem de Mao. Foi ele quem venceu a guerra civil e fundou a República Popular da China. O Grande Salto Adiante, plano econômico comandado por ele, provocou uma fome que matou cerca de 30 milhões de pessoas, segundo estimativas.
Mbappé e La Liga pedem desculpas
Mbappé recuou ainda nesta terça. Em comunicado nas redes, publicado em francês, mandarim e inglês, disse que o comentário foi “infeliz” e que agora entende que ele “magoou muita gente na China”.
“Peço desculpas a todos que minhas palavras magoaram”, escreveu. “Não era em absoluto minha intenção. Tenho profundo respeito pelo povo chinês e por sua história, e sinto muito, sinceramente.”
A La Liga também se desculpou. A liga espanhola disse lamentar “profundamente a ofensa causada aos torcedores chineses” e afirmou que as declarações foram feitas “a título pessoal e não representam a La Liga”. Prometeu criar um “protocolo de comunicação” para jogadores e clubes e trabalhar com parceiros na China para evitar novos casos.
O presidente da liga, Javier Tebas, pediu desculpas no X: “Uma relação construída ao longo de tantos anos não pode ser prejudicada por um único episódio”.
A crise estourou no mesmo dia em que Mbappé, de 27 anos, perdeu a Bola de Ouro para o inglês Harry Kane. Na China, ele segue fora da TV estatal, e a emissora ainda cobra um pedido de desculpas também do Real Madrid.
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