PT fecha com o Centrão pela reeleição de Hugo Motta e isola o PL na Câmara
Com a federação de PT, PCdoB e PV, bloco de Motta chega a 338 deputados; petistas negociam cargos na Mesa e comissões
O PT se juntou ao Centrão para reeleger Hugo Motta (Republicanos-PB) na presidência da Câmara e deixar de fora o PL, dono da maior bancada da Casa, com 121 deputados. A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, anunciou o apoio na terça-feira (27).
Com a adesão, os partidos que fecharam com Motta somam 338 deputados. São 81 a mais que os 257 votos necessários para vencer no primeiro turno. A eleição está marcada para 1º de fevereiro de 2027.
O bloco junta, na mesma mesa, União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, PSDB-Cidadania, Podemos, Solidariedade-PRD, PSB, PDT e a federação petista. O partido que mais elegeu deputados ficou do lado de fora.
O que o PT quer com a reeleição de Hugo Motta
O próprio PT não esconde o objetivo. O líder da bancada, Pedro Uczai (PT-SC), disse que a aliança serve para ampliar a governabilidade do quarto mandato de Lula e avançar nas pautas da federação. Para justificar o acordo com o Centrão, afirmou que a articulação é compatível com a “pauta da democracia”.
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O apoio não sai de graça. O PT negocia a 1ª Secretaria ou uma vice-presidência da Mesa Diretora, além do comando de comissões de peso como a CCJ, a Comissão Mista de Orçamento e a Comissão de Finanças e Tributação. Ou seja: o partido do governo quer influência direta sobre a pauta, o Orçamento e os projetos que passam pela Câmara.
A meta declarada é barrar a direita. “Vocês viram que o PL anunciou que ia tentar ganhar a presidência da Câmara e a presidência do Senado”, disse Uczai. Segundo ele, a prioridade é impedir que o PL conquiste as duas cadeiras.
A líder do PCdoB, Jandira Feghali (RJ), atacou o discurso de “quem perdeu as eleições” e defendeu que os partidos impeçam o PL de comandar as duas Casas. O líder do PV, Aliel Machado (PR), disse que o “radicalismo desrespeitoso com a democracia” ganhou força no primeiro turno.
Superbloco contra a maior bancada
A federação de PT, PCdoB e PV terá 88 deputados na próxima legislatura. Somada ao Centrão e às siglas de esquerda que já tinham aderido, forma uma frente montada com um alvo claro: a bancada que as urnas fizeram a maior da Câmara.
PSB e PDT já tinham fechado com Motta antes do PT. A federação Psol-Rede, com 15 deputados, estuda entrar no acordo e se reúne na terça-feira (3) para decidir. Um integrante do grupo disse que o apoio a Motta tem o objetivo de “isolar o PL”.
Motta chegou ao cargo em 1º de fevereiro de 2025, eleito com 444 votos. Agora, busca o segundo mandato apoiado pelo partido de Lula e pelo Centrão ao mesmo tempo.
PL decide candidato nesta semana
O PL e o Novo somam 131 deputados e ainda não têm um nome para a disputa. No PL, dois nomes estão na mesa: Sóstenes Cavalcante (RJ) e Altineu Côrtes (RJ). O partido defende publicamente lançar candidato próprio contra Motta.
A bancada liberal se reúne na quarta-feira (4) para discutir a escolha. A decisão vai dizer se a maior bancada da Câmara aceita assistir à eleição de fora ou enfrenta nas urnas do plenário o acordo que o PT costurou com o Centrão.
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