Carol Dartora usa cota parlamentar para pagar espumante e cerveja em Nova York
Deputada do PT do Paraná teve três taças de espumante, tiramisu, sanduíche de lagosta e cerveja reembolsados pela Câmara na viagem à ONU. Gabinete culpa recibo em inglês.
A deputada federal Carol Dartora (PT-PR) usou a cota parlamentar para pagar espumante e cerveja em Nova York. O dinheiro saiu da Câmara dos Deputados: R$ 670 em reembolsos por duas contas feitas em março, durante a viagem dela aos Estados Unidos.
A conta mais cara é do restaurante The Palm Bar & Grill. Lá, a deputada pediu três taças do espumante californiano Gloria Ferrer Blanc de Blancs e um tiramisu. A Câmara devolveu R$ 453,84. A segunda nota é da Luke’s Lobster, na estação Grand Central: um sanduíche de lagosta e uma cerveja artesanal. Mais R$ 216,18 pagos com dinheiro público.
As normas da Câmara proíbem o ressarcimento de bebida alcoólica com a cota. O próprio gabinete da deputada admite isso.
O que a cota parlamentar de Carol Dartora pagou: espumante, lagosta e cerveja
Os recibos são de 14 e 15 de março. No The Palm, as três taças de espumante custaram US$ 57, cerca de R$ 315 na cotação da época. O tiramisu saiu por US$ 18,25. A conta fechou em US$ 84, sem gorjeta.
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Na Luke’s Lobster, o sanduíche de lagosta custou US$ 26 e a cerveja artesanal, US$ 8.
As notas foram apresentadas à Câmara, conferidas e pagas com a verba que deveria bancar o exercício do mandato.
A viagem à ONU
Carol Dartora estava em Nova York para a 70ª Sessão da Comissão sobre a Situação da Mulher, na sede da ONU. A agenda era oficial. O espumante e a cerveja entraram na mesma conta que o contribuinte paga.
A deputada é do PT, partido do presidente Lula. Na prática, a cota de uma parlamentar da base do governo bancou bebida alcoólica em Nova York, o que a regra da própria Câmara proíbe.
O que diz o gabinete
O gabinete atribuiu o reembolso a um “equívoco na conferência da documentação apresentada”. A justificativa é o idioma: “Em virtude de o comprovante da despesa ter sido emitido em língua estrangeira (inglês)”, a equipe não teria identificado as bebidas.
O gabinete reconhece que se trata de despesa “cujo ressarcimento é vedado pelas normas institucionais da Casa” e promete que “adotará de imediato as providências administrativas necessárias para efetuar a devolução integral dos valores”.
A explicação não alcança o principal: a devolução só foi prometida depois que o caso veio a público. Até então, mais de sete meses depois da viagem, o reembolso seguia pago.
O que vem agora
A devolução foi prometida, mas não há data nem comprovante. A Câmara dos Deputados foi procurada e não respondeu. Também não há informação de que a Casa vá revisar as outras despesas da viagem ou de que a área técnica que aprovou as notas vá explicar como bebida alcoólica passou pela conferência.
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