Motta reúne Centrão por voto distrital misto e deixa PL, dono de 121 deputados, de fora
Depois de o PL sair das urnas como a maior bancada da Câmara, partidos de centro querem mudar por PEC a forma de eleger deputados e vereadores
O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), reuniu presidentes e líderes do Centrão na residência oficial da Casa para destravar uma PEC que troca o sistema proporcional pelo voto distrital misto. A mudança chega logo depois de o PL eleger 121 dos 513 deputados federais em 2026 e se firmar como a maior bancada da Câmara.
Sentaram à mesa, na quarta-feira (28), União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, a federação PSDB-Cidadania, Podemos e PSB. O PL, maior partido da Casa, não estava. Também ficaram de fora o Novo, a federação PT-PCdoB-PV e o Psol.
Motta quer votar a proposta ainda este ano. “Estou feliz em reabrir este debate e encontrar janela para esse ano. Chegou a hora de o Brasil enfrentar esse tema”, disse depois do encontro.
Como funciona o voto distrital misto que Motta quer votar em 2026
A proposta tem duas etapas. Em 2030, valeria um modelo de transição chamado de distritão misto: metade das cadeiras iria para os candidatos mais votados em cada estado, sem cálculo de quociente eleitoral, e a outra metade para listas fechadas dos partidos.
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Em 2034, entraria o distrital misto definitivo. O eleitor passaria a ter dois votos: um no candidato do seu distrito e outro na lista do partido. Metade das vagas seria preenchida por maioria simples nos distritos, e a outra metade pelas listas, na proporção dos votos de cada legenda no estado.
A regra valeria para deputados federais, estaduais, distritais e vereadores. O Senado fica fora, e Motta disse que mudar o sistema majoritário, que elege presidente, governadores e senadores, não está no horizonte.
O texto da PEC ainda não foi escrito. A discussão vai para um grupo de trabalho em que cada partido indica um representante.
PL, o mais votado, vira o alvo da mudança
O recado da reunião não foi escondido. Lideranças do Centrão avaliam que o PL deve resistir à mudança, já que foi o partido mais beneficiado pelo sistema atual, o mesmo que deu a ele 121 cadeiras a partir de 2027.
O ex-presidente do PSDB Aécio Neves (PSDB-MG), presente ao encontro, disse que o PL “talvez não venha” para a reforma e que há votos suficientes no Congresso para aprovar a PEC sem o partido. Na mesma conversa, Aécio defendeu incluir no texto uma regra que obriga prefeitos a ficar no partido pelo qual foram eleitos.
O PSD de Gilberto Kassab fechou questão a favor da mudança. Kassab disse que é a primeira vez na história do partido que adota uma medida desse tipo e que quem discordar será convidado a sair da legenda.
O distrital misto tem padrinhos conhecidos. Além de Motta e Kassab, o modelo é defendido pelo ministro do STF Alexandre de Moraes.
Próximo passo: 308 votos e acerto com Alcolumbre
Depois da reunião, Motta disse que vai atrás de quem ficou fora. “A partir de agora, com a autorização dos líderes e dos presidentes, nós buscaremos os demais partidos”, afirmou. PL e PT, as duas maiores bancadas, serão procurados depois, sem data marcada.
Por ser emenda à Constituição, a proposta precisa de três quintos dos votos em dois turnos em cada Casa. Na Câmara, são 308 deputados. A tramitação no Senado será costurada com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Motta diz já ter votos para aprovar a PEC ainda em 2026, mesmo sem todos os partidos. Na prática, o Centrão tenta reescrever a regra do jogo a dois meses do fim do ano, com a maior bancada eleita pelo voto do eleitor fora da mesa onde a regra foi desenhada.
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