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Território Domingo, 1 de novembro de 2026

Economia

Boulos ataca Tarcísio por ICMS do diesel, mas alta foi aprovada por todos os estados

Ministro de Lula culpa o governador pelo imposto de R$ 1,30 por litro em 2027 e omite que a alta passou no Confaz, presidido pelo ministro da Fazenda, com o aval dos estados do PT

Boulos ataca Tarcísio por ICMS do diesel, mas alta foi aprovada por todos os estados
Reprodução/Poder360

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), usou as redes sociais neste domingo (1º) para culpar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), pela alta do ICMS sobre o diesel. O imposto vai subir de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro a partir de fevereiro de 2027.

O que Boulos deixou de fora: o aumento não é uma decisão de São Paulo. Ele foi aprovado em conjunto pelos estados no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), inclusive pelos governos ligados ao PT. E o conselho é presidido pelo ministro da Fazenda de Lula, Dario Durigan.

O que Boulos disse contra Tarcísio sobre o ICMS do diesel

No vídeo, o ministro afirmou que Tarcísio “decidiu aumentar em mais de 1% o imposto estadual sobre o óleo diesel”, que passaria “de R$ 1,17 a R$ 1,30 por litro”. A própria conta de Boulos não fecha: a alta de R$ 0,13 por litro equivale a 11,1%, o maior reajuste entre os combustíveis atingidos.

Boulos comparou o governador a Lula, que, segundo ele, está “segurando o preço do diesel para não aumentar o custo de vida”. E cobrou: “Não dá para ter um discurso na eleição e a prática ser outra, Tarcísio?”. Pediu ainda que o governador “faça sua parte” e “ajude o povo brasileiro”.

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Tarcísio foi procurado para comentar as críticas e não havia respondido até a publicação desta matéria.

Alta passou no Confaz com o aval de todos os estados

A decisão saiu na terça-feira (27), em reunião do Confaz. O colegiado reúne os secretários de Fazenda dos 26 estados e do Distrito Federal e é comandado pelo Ministério da Fazenda. A alta foi aprovada de forma colegiada por governos de diferentes partidos, o que inclui os estados administrados por petistas.

Os novos valores valem a partir de 1º de fevereiro de 2027. Além do diesel, a gasolina sobe R$ 0,07 por litro (4,5%) e o botijão de 13 quilos de gás de cozinha fica R$ 0,91 mais caro (4,8%).

Desde a Lei Complementar 192, de 2022, o ICMS dos combustíveis é cobrado em valor fixo por litro, e não mais em percentual sobre o preço. Esse valor é atualizado pelo próprio Confaz. Os estados afirmam que o reajuste de 2027 segue a regra da lei. O conselho justificou a medida com o “cenário de instabilidade mundial dos preços dos derivados de petróleo”.

Ou seja: a alta que Boulos atribui a Tarcísio foi votada no mesmo fórum em que estão os secretários dos governadores aliados de Lula e o ministro da Fazenda do próprio governo do qual Boulos faz parte.

A conta do governo com o diesel

O discurso de que Lula “segura” o preço também tem custo para o contribuinte. Também na terça-feira (27), o governo federal prorrogou por 30 dias a subvenção de R$ 2,12 por litro ao diesel, criada para conter os efeitos da guerra no Irã sobre os combustíveis.

O governo subsidia combustível desde abril. Segundo dados do Planalto, a conta já passava de R$ 32 bilhões até o fim de agosto.

O que vem agora

O novo ICMS do diesel entra em vigor em 1º de fevereiro de 2027, em todos os estados que aprovaram o reajuste no Confaz. Até lá, o valor de R$ 1,17 por litro segue valendo. Boulos não explicou por que cobrou apenas São Paulo por uma decisão que teve o voto dos estados aliados do governo e foi tomada sob a presidência da Fazenda de Lula.

Redação Território
Redação Território

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