‘Campanha menos organizada’: ala do PT boicota reunião e cobra Edinho Silva
Dirigentes esvaziam a Executiva Nacional, reclamam de decisões concentradas no presidente do partido e forçam Diretório para 13 de novembro
O PT mal fechou as urnas e já está em guerra interna. Uma ala do partido boicotou a reunião da Executiva Nacional na quinta-feira (29) e passou a cobrar abertamente o presidente da legenda, Edinho Silva, pela condução da campanha de reeleição de Lula.
O próprio presidente deu munição aos críticos. Em fala divulgada por engano em um canal do partido, Lula contou o que disse ao dirigente: “Eu disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que eu participei desde 1989.” E completou: “Eu acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade.”
Pressionado, Edinho convocou o Diretório Nacional, instância máxima do partido, para uma reunião presencial em 13 de novembro.
Por que a ala do PT boicota reunião e cobra Edinho Silva
O grupo que esvaziou a Executiva alegou que aquele não era o fórum adequado para avaliar a campanha. A cobrança, porém, vai além do local da conversa. Dirigentes se queixam de que as decisões ficaram concentradas nas mãos de Edinho durante toda a disputa.
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Há também ressentimento com a candidatura do próprio presidente do partido. Edinho contrariou aliados ao disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo. Segundo os críticos, ele usou o protagonismo de comandante nacional da sigla para atrair eleitores, em prejuízo de outros candidatos petistas do estado.
Na leitura dessa ala, o cargo de comando virou trampolim eleitoral do próprio Edinho.
Lula expõe a campanha que ele mesmo comandou
A frase de Lula é a mais dura já dita sobre a campanha petista, e veio de dentro. Ao comparar com todas as disputas desde 1989, o presidente colocou a de 2026 no último lugar em organização. Não foi um adversário que disse isso. Foi o candidato.
A declaração não deveria ter sido ouvida fora do partido. Saiu em um canal petista, por erro, e virou combustível para quem já queria a cabeça de Edinho.
Oficialmente, o discurso da cúpula é outro. Na nota da Executiva de 29 de outubro, a mesma reunião boicotada, o PT atribuiu a reeleição à “mobilização popular” e a uma ampla aliança política e social. Nenhuma palavra sobre o racha.
Nas conversas com dirigentes, Edinho tem dito que o partido precisa mudar a organização interna, renovar quadros e reformular a comunicação. É a admissão de que a máquina petista chegou desgastada ao fim da eleição.
Diretório Nacional do PT se reúne em 13 de novembro
A reunião do Diretório foi convocada para fazer o balanço das eleições e analisar a conjuntura política. Ao fim, o partido promete um documento de síntese com as orientações para o próximo ciclo e a organização de um congresso no ano que vem.
O encontro presencial será o primeiro teste de força de Edinho depois do boicote. A ala insatisfeita chega à reunião com a frase de Lula na mão e a cobrança por uma avaliação da campanha que a Executiva não fez.
Por trás da briga está uma pergunta que o PT evita responder em público: quem manda no partido quando Lula sair de cena.
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