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Território Domingo, 1 de novembro de 2026

Política

‘Bota fogo’: youtuber pró-Lula Helder Maldonado ameaça igrejas com bandeira de Israel

Em vídeo após o segundo turno, ele diz que evangélicos estão entre os grupos a combater. Frentes parlamentares falam em incitação à violência e pedem apuração.

'Bota fogo': youtuber pró-Lula Helder Maldonado ameaça igrejas com bandeira de Israel
Reprodução/Oeste

O youtuber Helder Maldonado, do canal Galãs Feios e apoiador de Lula, ameaçou igrejas que exibem a bandeira de Israel. “Ou você tira ou a gente bota fogo”, disse ele em vídeo gravado depois do segundo turno, que circula nas redes desde o fim da eleição.

No mesmo trecho, Maldonado afirma que quem tem a bandeira no templo será preso: “Tem bandeirinha de Israel na tua igreja? Tem? Tá preso”. Ele ainda chama os fiéis de traidores do país.

A fala provocou reação no Congresso. Na sexta-feira (30), a Frente Parlamentar Brasil-Israel e as frentes evangélicas da Câmara e do Senado divulgaram nota conjunta de repúdio. O texto classifica as declarações como intolerância e incitação à violência e cobra apuração das autoridades.

O que Helder Maldonado disse sobre igrejas com bandeira de Israel

O vídeo é uma comemoração do resultado da eleição. Maldonado cita o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), derrotado no segundo turno, e diz que a vitória foi maior que a do candidato.

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“Não é só o Flávio, não, que a gente venceu”, afirma. “A gente venceu uma ideia de país, cara, uma ideia de sociedade que precisa ser frontalmente combatida.”

Entre os grupos que, segundo ele, devem ser combatidos, estão os evangélicos. Em seguida vem a ameaça direta aos templos: “Bandeirinha de Israel. Só tem duas formas aqui nesse país, a partir de agora. Ou você tira ou a gente bota fogo”. No trecho, o youtuber fala como se encarnasse o lado vencedor da eleição e anuncia prisão para líderes de igrejas que mantiverem o símbolo.

Ele também ataca o que chama de “projeto de poder israelense norte-americano” no Brasil.

Histórico do youtuber

Não foi a primeira vez. Cerca de dois dias antes da nota das frentes, Maldonado publicou no X uma crítica à presença de bandeiras de Israel e dos Estados Unidos no país. Chamou a prática de “colonialismo mental” e afirmou, sem apresentar prova, que ela seria parte de uma operação de influência do Mossad e da CIA.

Até a publicação desta reportagem, ele não havia se manifestado sobre a nota dos parlamentares.

Frentes evangélicas cobram apuração

A nota é assinada pela deputada Carla Dickson (PL-RN), presidente da Frente Parlamentar Brasil-Israel, pelo senador Carlos Viana (PL-MG), presidente da Frente Parlamentar Evangélica do Senado, e pela deputada Greyce Elias (PL-MG), presidente da Frente Parlamentar Evangélica no Congresso.

“É inadmissível que líderes religiosos e comunidades de fé sejam alvo de manifestações de intolerância”, diz o texto. Os parlamentares lembram que “a Constituição Federal assegura a liberdade de crença, o livre exercício dos cultos e a proteção aos locais de culto”.

Segundo a nota, a liberdade de expressão não justifica ameaças a líderes religiosos nem ataques a templos. As frentes pedem que as autoridades competentes investiguem o episódio.

A ameaça veio da militância que comemorava a vitória de Lula e mirou fiéis e templos. Agora, as frentes esperam resposta das autoridades ao pedido de investigação.

Redação Território
Redação Território

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