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Território Segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Eleições 2026

‘Milicianismo’: Lula ataca Flávio e promete regular redes no discurso da vitória

Reeleito por 51,77% a 48,23%, presidente acusou intromissão de plataformas digitais sem apontar empresa nem conteúdo e recusou falar em unidade nacional

'Milicianismo': Lula ataca Flávio e promete regular redes no discurso da vitória
Reprodução/Bandab

Nem a vitória acalmou Lula. No primeiro discurso depois de confirmado o resultado do segundo turno, na noite de domingo (25), o presidente reeleito voltou a mirar Flávio Bolsonaro (PL). Disse que nunca pensou “em me deparar com o representante genuíno do milicianismo deste país” nos debates.

No mesmo palco, prometeu controlar as redes. Lula afirmou que a eleição exigiu vencer “a intromissão vinda de fora para dentro, através de plataformas digitais” e emendou: “nós vamos ter que regular elas”. Não disse qual empresa, qual post ou qual conteúdo teria interferido na disputa.

Lula terminou com 51,77% dos votos válidos, contra 48,23% de Flávio. No primeiro turno, em 4 de outubro, o senador tinha ficado à frente, com 47,03% contra 45,16% do petista.

O que Lula disse sobre regular as redes no discurso

O presidente subiu ao palco por volta das 22h15. Ao falar das plataformas, atacou as big techs. “Nós não podemos ter empresas monstruosas e grandes ganhando milhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado desse país”, disse.

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Também defendeu que “o crime no mundo digital tem que ser tratado igual ao crime na vida real”. A promessa veio sem projeto, sem prazo e sem prova da tal intromissão estrangeira.

Na mesma fala, Lula mandou um recado à imprensa: “Não vou permitir ser interpretado por jornalistas de má-fé”. O presidente que promete regular as redes avisou, na mesma noite, que não aceita leitura crítica do que diz.

Ataque a Flávio e recusa à unidade nacional

O ataque ao adversário derrotado foi além do “milicianismo”. “Nunca pensei que uma pessoa pudesse mentir tanto, com tanta desfaçatez”, disse Lula, que ainda acusou Flávio de querer privatizar o SUS, sem apresentar prova.

Em vez de estender a mão à metade do país que votou contra ele, Lula descartou o discurso de conciliação. “Não vou falar a palavra ‘unidade nacional’, porque nem sempre cabe neste país”, afirmou. Sobrou espaço até para piada com o sobrenome do rival, ao comentar a derrota do Corinthians: “Parecendo o Bolsonaro, só perde”.

A acusação de ligação com milícias é repetida por Lula desde a campanha e não tem decisão judicial. Em setembro, em entrevista a uma rádio do Rio, ele disse que “tem muita gente da família Bolsonaro metida com os milicianos neste país”. Flávio rejeitou qualquer vínculo com milícias, disse que “Lula está gagá” e prometeu: “Vou declarar PCC, Comando Vermelho e milícias como grupos terroristas”.

Regulação depende do Congresso

A regulação das redes é bandeira antiga do PT e já fracassou uma vez. O PL 2630, apelidado de PL das Fake News, travou na Câmara em 2023 sem votos para passar. Em 2025, o STF fez pelo Judiciário o que o governo não conseguiu no Legislativo e ampliou a responsabilidade das plataformas pelo que os usuários publicam.

Agora, Lula volta a pôr o tema no topo da agenda do novo mandato. O próprio presidente reconheceu, no discurso, que vai depender de deputados e senadores: “Eu não escolhi o Congresso, foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou governar”. Qualquer nova lei para as plataformas terá de passar por esse Congresso, o mesmo que já enterrou a proposta uma vez.

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Redação Território
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