Putin manda carta a Lula e exalta ‘notáveis qualidades de liderança’
Alvo de mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional, o presidente russo chama o petista de 'prezado amigo' um dia depois da reeleição
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, mandou uma carta a Lula nesta segunda-feira (26) e exaltou as “notáveis qualidades de liderança” do petista, reeleito no domingo (25). A mensagem foi divulgada pelo serviço de imprensa do Kremlin e abre com “Prezado amigo”.
Putin é alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional, acusado de deportação forçada de crianças ucranianas durante a guerra contra a Ucrânia. Menos de um dia depois da vitória, já tratava o brasileiro como amigo pessoal.
Na carta, o russo escreveu que é “difícil superestimar” a contribuição pessoal de Lula para a parceria estratégica entre Brasil e Rússia.
O que diz a carta de Putin a Lula
“Prezado amigo, aceite meus mais calorosos parabéns por sua reeleição como presidente da República Federativa do Brasil”, começa o texto.
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Putin disse que os “resultados da votação confirmaram plenamente o reconhecimento de seus concidadãos”. Elogiou o que chamou de “defesa de sua soberania e de seus legítimos interesses no cenário mundial”.
O russo prometeu seguir “em estreita colaboração para construir ainda mais uma cooperação bilateral frutífera”. Citou a “interação construtiva no âmbito da ONU, do BRICS, do G20 e de outras estruturas multilaterais”.
A carta ainda adianta os parabéns pelo aniversário de Lula, que completa 81 anos nesta terça-feira (27). Putin desejou “saúde, felicidade, prosperidade” ao petista.
Kremlin quer a parceria no novo mandato
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, reforçou o recado. “Ele contribui muito não só para o desenvolvimento das relações bilaterais, mas também para os processos em curso no âmbito do BRICS e de outras organizações”, disse.
“Esperamos que todos esses processos continuem no futuro”, completou Peskov. O recado do Kremlin é direto: Moscou conta com Lula no BRICS e nos demais fóruns também no novo mandato.
O histórico de Lula com o mandado contra Putin
A proximidade não é nova. Em setembro de 2023, em entrevista a um canal indiano durante viagem à Índia, Lula garantiu que o russo poderia vir ao país sem risco. “Eu posso te dizer que, se eu sou o presidente do Brasil e se ele vem para o Brasil, não tem porque ele ser preso”, afirmou.
O Brasil é signatário do Estatuto de Roma, o tratado que criou o Tribunal Penal Internacional, e tem obrigação de cumprir os mandados da corte. Diante da repercussão, Lula voltou atrás dias depois. “Isso quem decide é a Justiça, não é o governo, nem o Parlamento”, disse em entrevista coletiva.
Agora, no primeiro dia depois da reeleição, o petista recebe de Putin o título de “amigo” e o elogio à sua liderança. Lula começa o quarto mandato com o líder acusado de crimes contra crianças ucranianas cobrando, publicamente, a continuidade da parceria com Moscou.
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