‘Este é o momento’: Rubio chama cubanos a colaborar discretamente com a CIA
Secretário de Estado cita promessas fracassadas, corrupção e privilégios da cúpula cubana; Havana reage com ironia e fala em desespero de Washington
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, fez nesta sexta-feira (23) um chamado direto aos cubanos: “Àqueles que buscam promover uma mudança positiva em Cuba: este é o momento”. Na publicação no X, ele pediu que os moradores da ilha procurem uma parceria discreta com a CIA, a agência de inteligência americana.
Rubio apontou o que chamou de decepção com as promessas fracassadas, a corrupção e a vida privilegiada de poucos no país. E convidou os cubanos a aproveitar a oportunidade para criar a mudança que desejam.
O recado vem no auge da pressão de Washington sobre o regime comunista. Desde janeiro, os Estados Unidos mantêm um bloqueio ao petróleo que chega à ilha.
O que Rubio e a CIA pediram aos cubanos
O post de Rubio não veio sozinho. A CIA publicou um vídeo com instruções em espanhol para quem quiser fazer contato. A agência orienta o uso de VPN, de navegador em modo privado e de e-mail sem dados pessoais.
Publicidade
Quem enviar informações deve dizer a cidade, a ocupação e uma forma de contato. Para quem pode viajar com segurança, a orientação é ir pessoalmente a uma embaixada americana.
Filho de imigrantes cubanos, Rubio é um dos nomes mais duros do governo Trump contra a ditadura de Havana. O chamado mira justamente o ponto mais sensível do regime: a distância entre o discurso revolucionário e a vida de quem está no topo.
Rubio, os cubanos e o cerco da CIA e de Trump
O apelo faz parte da política de “pressão máxima” da Casa Branca. Além do bloqueio ao petróleo, Washington sancionou empresas estatais e dirigentes do setor energético cubano. A ilha enfrenta falta de combustível e apagões, agravados pela infraestrutura em colapso.
Há meses, Donald Trump e outros integrantes do governo sugerem uma intervenção militar ou o controle de Cuba. Em comício na Flórida, Trump disse que navios militares passariam perto da ilha e que Rubio “fecharia o acordo”.
A pressão sobre Havana aumentou depois de janeiro, quando militares americanos capturaram o então ditador venezuelano Nicolás Maduro em uma operação que deixou mortos. Maduro era o principal aliado do regime cubano na região.
O cerco também é judicial. A Promotoria da Flórida apresentou acusações de assassinato contra o ex-ditador Raúl Castro, de 95 anos, pela derrubada de duas aeronaves de pequeno porte em 1996. Em maio, ele já havia sido alvo de uma acusação federal semelhante. A Flórida emitiu um mandado de prisão contra ele no último dia 19.
A reação de Havana
O regime respondeu com ironia. O vice-chanceler Carlos Fernández de Cossío escreveu no X que “os Estados Unidos vêm agora com recrutamentos públicos da CIA”. Segundo ele, deve haver “muito desespero ou miséria” dentro da agência.
Não é a primeira vez que a cúpula cubana tenta reagir à pressão. Em setembro, o mesmo Fernández de Cossío afirmou que o uso de força militar americana contra Cuba seria um “crime internacional atroz”.
O ditador Miguel Díaz-Canel disse que a acusação contra Raúl Castro não tem base legal e serve para justificar uma agressão militar. O chanceler Bruno Rodríguez rejeitou “qualquer ameaça” e afirmou que a costa cubana tem “formações rochosas pontiagudas” para quem chegar com fins hostis.
Enquanto Havana responde com ironia e ameaças, a população segue sem combustível e no escuro. É a esses cubanos que Rubio se dirigiu.
Publicidade





