‘Isso não é pouca coisa’: Alcolumbre exalta os 60 milhões de votos de Flávio
Aliado de Lula desde o 1º turno, presidente do Senado para o pronunciamento da noite da eleição para destacar a força de Flávio Bolsonaro nas urnas; Motta cobra do presidente reeleito uma avaliação dos erros
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), usou o pronunciamento da noite da eleição para reconhecer o tamanho de Flávio Bolsonaro (PL) nas urnas. “Um colega senador da República disputou a eleição e teve 60 milhões de votos. Isso não é pouca coisa”, disse no domingo (25), ao lado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
O número é do TSE. Com 100% das urnas apuradas, Flávio terminou o 2º turno com 59.826.041 votos, 48,21% dos válidos. Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, 51,79%. A diferença ficou em 4.430.191 votos, ou 3,58 pontos percentuais.
O reconhecimento pesa pela origem. Alcolumbre e Motta apoiaram a reeleição de Lula desde o primeiro turno, contra a posição nacional dos próprios partidos, que estavam com Flávio. Mesmo assim, na hora da vitória do petista, o presidente do Senado fez questão de lembrar a votação do adversário.
Alcolumbre lembra os 60 milhões de votos de Flávio
Alcolumbre falou de Flávio como colega de Casa, não como derrotado. “Estou convivendo com o senador Flávio Bolsonaro há oito anos. Ele é um colega meu, senador da República”, afirmou.
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A frase sobre os 60 milhões veio em seguida e deu o tom do pronunciamento: quase metade dos votos válidos do país foi para o candidato da direita. Lula sai das urnas reeleito, mas com o eleitorado partido ao meio.
O próprio Alcolumbre tratou a divisão como problema. “Nosso país dividido não é bom para o povo brasileiro, não é bom para as instituições republicanas”, disse, completando que também “não é bom para o futuro do Brasil”.
E deixou um recado ao Planalto sobre o Congresso que o presidente reeleito vai encontrar. “O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva contará com um Congresso altivo, voltado à pacificação”, declarou.
Motta cobra de Lula avaliação dos erros
Ao lado de Alcolumbre, o presidente da Câmara foi além da cortesia. Motta pediu que Lula olhe para o que deu errado no mandato que termina.
“Quero que o presidente reeleito possa fazer uma avaliação dos seus acertos, mas também dos erros cometidos”, afirmou.
A cobrança vem de um aliado. Motta, assim como Alcolumbre, ficou com Lula desde o primeiro turno, e mesmo assim usou a noite da vitória para falar em erros do governo.
Encontro no Alvorada
Na noite do 2º turno, Alcolumbre e Motta acompanharam a apuração juntos na residência oficial do Senado. Ligaram para Lula para cumprimentá-lo e divulgaram uma nota conjunta reconhecendo o resultado.
Na segunda-feira (26), os dois foram recebidos por Lula no Palácio da Alvorada, em Brasília. O encontro começou por volta das 16h45 e durou cerca de duas horas. Foi a primeira reunião dos três desde a vitória sobre Flávio. Segundo o Planalto, a visita foi pedida pelos parlamentares como um “gesto de cortesia”.
O quarto mandato de Lula começa, assim, com os chefes das duas Casas lembrando publicamente a força da oposição. Diante de quase 60 milhões de eleitores que votaram em Flávio, o governo terá pela frente um Congresso que o próprio presidente do Senado promete “altivo” e um presidente da Câmara que já cobra a conta dos erros.
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