‘Deltan, você é o próximo’: PT do Paraná mira Dallagnol e senador eleito vê ameaça
Um dia depois do fim da eleição, diretório petista publica recado ao senador eleito com 2,9 milhões de votos e promete insistir no TSE para derrubar o registro dele
O diretório do PT no Paraná publicou nas redes oficiais, nesta segunda-feira (26), uma imagem com a frase “Deltan, você é o próximo”. O alvo é o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR), que recebeu 2.904.594 votos no 1º turno e ficou com a segunda vaga do estado no Senado.
O recado saiu menos de 24 horas depois do fim do 2º turno. A imagem não dizia a que se referia.
Dallagnol respondeu pelas redes: “Não deu nem 24 horas depois da eleição, o PT já ameaça os 3 milhões de votos que o Paraná confiou a mim”.
O que diz o PT sobre ‘Deltan, você é o próximo’
Só depois da repercussão o partido explicou o recado. Segundo o diretório, a frase se refere ao pedido para anular a candidatura de Dallagnol, que ainda depende de julgamento no plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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O secretário de comunicação do PT-PR, Marlon Alessandro, afirmou que o partido, que já tem ações contra Dallagnol no tribunal, vai dar continuidade a elas por entender que ele não tinha condições jurídicas para disputar a eleição. Disse que tudo ocorre “dentro do âmbito da Justiça”. O partido classificou como exagero a leitura de que o post seria uma ameaça.
O advogado do partido, Luiz Eduardo Peccinin, disse que o PT vai cobrar agilidade do tribunal. “A Justiça será feita”, afirmou.
Na prática, o PT anuncia que vai tentar tirar no tapetão a cadeira que quase 3 milhões de paranaenses deram a Dallagnol nas urnas.
O processo no TSE contra Dallagnol
Em 3 de outubro, véspera do 1º turno, o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, indeferiu o registro de Dallagnol com base na Lei da Ficha Limpa. Dallagnol recorreu e disputou a eleição como candidato “deferido com recurso”.
O caso tem origem em 2023. Naquele ano, o TSE cassou por unanimidade o registro de Dallagnol como deputado federal, eleito em 2022 como o mais votado do Paraná. O tribunal entendeu que ele tentou contornar a Ficha Limpa ao deixar o Ministério Público Federal enquanto respondia a procedimentos administrativos. Dallagnol perdeu o mandato.
O ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato, que levou à prisão de Lula em 2018, voltou às urnas três anos depois e venceu de novo, agora para o Senado.
O pedido contra a candidatura ficou parado logo depois do 1º turno. O julgamento do recurso foi adiado a pedido da defesa. Segundo o PT, o caso deve voltar a andar agora que a eleição terminou.
Dallagnol liga recado a ofensiva contra a direita
Na mesma reação, Dallagnol acusou políticos da esquerda de pedirem a retenção do passaporte do senador Flávio Bolsonaro e de prometerem mirar outras lideranças da direita. Para ele, o post do PT faz parte da mesma ofensiva.
Parlamentares e apoiadores da oposição também criticaram a publicação nas redes e trataram a frase como ameaça ao senador eleito.
O que vem agora
O plenário do TSE ainda não marcou data para julgar o recurso. A decisão precisa sair antes da diplomação dos eleitos, marcada para 18 de dezembro. O PT diz esperar que o mérito seja analisado ainda em 2026.
Até lá, o voto de quase 3 milhões de eleitores do Paraná segue pendurado num processo que o partido de Lula promete empurrar.
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