Brasileiros elevam em 900% buscas por ‘Paraguai’ no Google após vitória de Lula
Pesquisa sobre como viver no país vizinho sobe 1.700%; Paraguai cobra 10% de imposto e já recebia brasileiros em ritmo recorde antes da eleição
Bastou sair o resultado do segundo turno para o Paraguai virar assunto no Brasil. As buscas pelo nome do país vizinho no Google cresceram 900% nas 24 horas encerradas às 6h desta terça-feira (27), segundo o Google Trends.
A pesquisa sobre como viver no Paraguai foi ainda mais longe: alta de 1.700% depois da confirmação da vitória de Lula. O petista venceu Flávio Bolsonaro no domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador, e foi eleito para o quarto mandato.
O Google Trends mede a variação do interesse pelas pesquisas, não o número de pessoas que buscaram o termo. Mas o salto mostra para onde parte do país olhou na manhã seguinte à eleição.
Buscas por Paraguai no Google após vitória de Lula: o que pesa
O movimento não começou no domingo. No primeiro semestre de 2026, a Direção Nacional de Migrações do Paraguai recebeu 33 mil pedidos de residência, alta de 60% sobre o mesmo período de 2025. Foram concedidas 29 mil residências, cerca de 22 mil delas a brasileiros, perto de três em cada quatro.
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Os brasileiros já formam uma comunidade de cerca de 263 mil pessoas no Paraguai, segundo dados do Itamaraty de 2023. É a terceira maior comunidade brasileira no exterior.
Nas redes, a corrida ao país vizinho virou piada e desabafo. O influenciador Rico Melquiades, que tinha falado em deixar o Brasil, voltou atrás no Instagram na segunda-feira (26): “Vontade de chorar, porque eu fui dizer [que] ia sair do Brasil em?”.
Imposto de 10% contra a carga brasileira
O principal atrativo do Paraguai é o sistema tributário. O país adota o modelo conhecido como “10-10-10”: alíquota máxima de 10% no Imposto de Renda de pessoas físicas, no de empresas e no IVA. A carga tributária paraguaia fica em torno de 14% do PIB. No Brasil, beira 33%.
A contribuição patronal à previdência é de 16,5% no Paraguai, contra 20% no Brasil. Pela Lei de Maquila, empresas que produzem para exportar pagam 1% sobre o valor agregado. Até dezembro de 2025, 231 das 339 empresas nesse regime eram brasileiras, segundo o Ministério de Indústria e Comércio paraguaio.
O vizinho também ganhou confiança lá fora. Conquistou o grau de investimento da Moody’s em julho de 2024 e o da S&P em dezembro de 2025. No Índice de Liberdade Econômica 2026 da Heritage Foundation, o Paraguai subiu para a 55ª posição. O Brasil fez o caminho inverso: caiu da 124ª para a 134ª colocação, entre 176 países, sob o governo Lula.
Eleição terminou com voto prorrogado pelo STF
A vitória de Lula veio depois de uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, ex-advogado pessoal do presidente. No domingo, a pedido do PT, Zanin prorrogou a votação até as 19h, horário de Brasília, nos “locais onde as urnas não foram fechadas”. O PT protocolou o pedido às 15h46, Zanin foi sorteado relator às 16h33 e a decisão saiu às 17h03.
A medida passou por cima do TSE, a quem caberia decidir os pedidos das campanhas. Parte do eleitorado não conseguiu usar o tempo extra: muitas seções já estavam fechadas quando a ordem foi publicada.
O que vem agora
Lula toma posse para o quarto mandato em janeiro. Até lá, o termômetro das buscas segue apontando para o outro lado da Ponte da Amizade, num país que cobra menos imposto, sobe no ranking de liberdade econômica e atrai empresas brasileiras enquanto o Brasil desce.
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