Brasileiros elevam em 1.700% buscas por morar no Paraguai após reeleição de Lula
Procura explode nas 48 horas seguintes à apuração; no 1º semestre, brasileiros já levaram 76% das residências concedidas pelo país vizinho
A reeleição de Lula fez disparar a vontade de deixar o Brasil. As buscas por “como morar no Paraguai” cresceram 1.700% no Google Trends nas primeiras 48 horas depois da apuração do segundo turno.
O salto pega um movimento que já vinha forte. No primeiro semestre de 2026, 22.628 brasileiros receberam residência no Paraguai. No mesmo período de 2025, foram 11.723. Quase o dobro.
E a porta está aberta nesta semana. A Direção Nacional de Migrações (DNM) do Paraguai faz de segunda (2) a sexta-feira (6) o MigraMóvil em Ciudad del Este, do outro lado da Ponte da Amizade. O atendimento vai das 8h às 16h, no Centro Cultural Mangoré, com pedidos de residência temporária e permanente.
Brasileiros dominam a fila da imigração
Os números oficiais do governo paraguaio mostram o tamanho da saída. Entre janeiro e junho, a DNM concedeu 29.765 residências a estrangeiros: 23.833 temporárias e 5.932 permanentes. Três em cada quatro foram para brasileiros.
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Nenhuma outra nacionalidade chega perto. A Argentina, segunda da lista, somou 2.210 autorizações. A Alemanha teve 1.132. A Espanha, 821.
O total de residências aprovadas subiu 81% em um ano, de 16.456 para 29.765. Os pedidos recebidos cresceram 62%, de 20.567 para 33.243.
Por que brasileiros querem morar no Paraguai depois de Lula
Quem acompanha o fluxo aponta o resultado das urnas como gatilho. “Metade das consultas atuais é de pessoas reagindo emocionalmente ao resultado das urnas”, disse o empresário Raphaël Lima. A outra metade, segundo ele, vem de empresários e famílias ricas que querem levar patrimônio e empresas para o outro lado da fronteira.
“Tivemos uma explosão de demanda que gerou uma dificuldade enorme de absorção”, afirmou Lima. Ele projeta perto de 30 mil residências para brasileiros até o fim do ano e algo próximo de 100 mil no ano que vem.
A economista Ludmila Culpi, da PUCPR, lista o que empurra os brasileiros para fora: carga tributária alta, burocracia, sensação de insegurança e insatisfação política. Do lado paraguaio, pesam impostos baixos, custo de vida menor, residência facilitada pelas regras do Mercosul e um governo de centro-direita.
Em Assunção, contas do dia a dia como luz, plano de saúde e lazer custam de 10% a 20% menos do que em Curitiba, segundo Lima.
Governo Lula não sabe quantos estão indo embora
Enquanto a procura dispara, o Itamaraty diz não ter dados sobre brasileiros que se mudam para o Paraguai. O governo que acaba de ser reeleito não acompanha nem o tamanho da saída de quem decide fazer a vida do outro lado da fronteira.
A fila não para em Ciudad del Este. A próxima edição do MigraMóvil está marcada de 16 a 20 de novembro em Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã (MS), na sede da Governação de Amambay, também das 8h às 16h.
Para pedir residência a partir dos 14 anos, a DNM exige atestado de antecedentes da Polícia paraguaia, emitido à parte.
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