Polícia prende de novo Senival Moura, vereador eleito pelo PT suspeito de elo com o PCC
Decisão diz que ele influía nas finanças e na frota da Transunião sem ter cargo na empresa. Na tribuna, em agosto, jurou: 'Não tenho nada a ver com facção'
O vereador Senival Moura, eleito pelo PT em São Paulo, voltou a ser preso na manhã desta quarta-feira (28), em casa. A ordem é de prisão preventiva, sem prazo para acabar. Policiais do Deic, da Polícia Civil, e promotores do Gaeco, do Ministério Público, cumpriram o mandado e levaram o parlamentar para a sede do Deic, segundo a Secretaria da Segurança Pública.
É a segunda prisão dele na Operação Última Parada, que investiga a Transunião, empresa de ônibus da zona leste suspeita de lavar dinheiro do PCC. Segundo a decisão judicial, Senival tinha influência sobre as finanças e parte da frota da empresa mesmo sem ocupar nenhum cargo na direção. Só em 2025, a Transunião recebeu mais de R$ 300 milhões em dinheiro público.
Em agosto, solto por excesso de prazo, Senival subiu à tribuna da Câmara Municipal e disse: “Não tenho nada a ver com facção”. Menos de três meses depois, está de volta à cadeia.
O que a Justiça diz sobre Senival Moura e o PCC
A preventiva foi decretada em 20 de outubro pelo juiz Antonio Carlos Costa Pessoa Martins, da 1ª Vara Estadual de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores. O fundamento é a garantia da ordem pública. Para o juiz, medidas mais leves não bastariam, por causa do risco de o vereador seguir atuando, de forma indireta, sobre a estrutura da empresa.
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A decisão sustenta que Senival manteria o controle de recursos e de ônibus por meio de familiares e terceiros. Mensagens extraídas do celular de Adauto Soares Jorge, ex-presidente da Transunião assassinado em 2020, indicariam que certos pagamentos dependiam da autorização de alguém chamado de “presidente”, “vereador”, “velho” ou “véio”. A investigação atribui esses apelidos a Senival.
Num imóvel usado como escritório político do vereador, os investigadores encontraram cópias de planilhas com os títulos “COOPERADOS” e “COOPERADOS OFICIAIS”, além de documentos sobre donos de ônibus ligados à Transunião. Parte do material estava em envelopes endereçados a ele, e o nome de Senival aparecia de forma recorrente nas planilhas. A decisão aponta ainda depósitos em espécie, créditos sem depositante identificado e movimentação acima da renda declarada.
Na nova fase, a operação apreendeu R$ 158,9 mil em dinheiro vivo, além de dólares e euros, dez carros de luxo, cerca de 40 relógios e joias. Foram retidos 21 imóveis e bloqueadas seis embarcações, e 408 veículos sofreram restrição.
Denunciado, solto e preso de novo
A Operação Última Parada saiu às ruas em 25 de junho. Senival foi preso temporariamente naquele dia. No mesmo dia, a Prefeitura de São Paulo decretou intervenção de seis meses na Transunião, empresa que transporta cerca de 262 mil passageiros por dia em aproximadamente 50 linhas, a maior parte na zona leste.
Quatro dias depois, em 29 de junho, o PT informou que o vereador tinha pedido afastamento do partido. No início de agosto, a desembargadora Carla Rahal, da 11ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, mandou soltá-lo por considerar ilegal a manutenção da prisão temporária além do prazo. A soltura não discutiu o mérito das suspeitas.
Livre, Senival voltou ao plenário, gravou vídeo dizendo que era inocente e negou na tribuna qualquer ligação com a facção. Em 2 de outubro, o Ministério Público o denunciou, junto com outras 20 pessoas, por organização criminosa e lavagem de dinheiro ligadas à Transunião.
A decisão também alcança outros investigados. Entre eles está Leonel Moreira Martins, apontado pela acusação como intermediário entre o PCC e a Transunião, e Jair Ramos de Freitas, o “Cachorrão”, acusado de executar Adauto. Segundo a investigação, o assassinato do ex-presidente está ligado a disputas internas por dinheiro supostamente ligado à facção. Dois alvos ainda não tinham sido localizados até a manhã desta quarta.
O que vem agora
A defesa diz que a decisão “não encontra fundamentação concreta suficiente para justificar a privação de sua liberdade” e que o vereador “nega categoricamente qualquer envolvimento com organização criminosa”. Os advogados afirmam que vão recorrer para tentar soltá-lo.
Desta vez, porém, o argumento do prazo não existe: a preventiva não tem data para terminar. O vereador eleito pelo PT na maior cidade do país volta para trás das grades denunciado pelo Ministério Público, acusado de servir de elo entre uma empresa que recebeu mais de R$ 300 milhões públicos em um ano e o PCC.
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