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Território Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Economia

BC de Galípolo trava cortes e mantém Selic em 13,75% no 1º Copom após reeleição de Lula

Inflação acima do teto e expectativas desancoradas interrompem cinco cortes seguidos; mercado já prevê juro mais alto em 2027

BC de Galípolo trava cortes e mantém Selic em 13,75% no 1º Copom após reeleição de Lula
Reprodução/Economia

O Banco Central, comandado por Gabriel Galípolo, indicado de Lula, manteve a Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4). Foi a primeira reunião do Copom depois da reeleição do presidente. A decisão foi unânime: os sete integrantes do comitê votaram pela pausa.

Acaba ali a sequência de cinco cortes de 0,25 ponto, feitos em março, abril, junho, agosto e setembro. O ciclo começou com a taxa em 15%. Na reunião de setembro, ela tinha caído de 14% para 13,75%.

O motivo está no próprio comunicado. A inflação e suas medidas subjacentes “seguem acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta”, e os riscos estão “com viés de alta”.

Por que o Copom mantém a Selic em 13,75%

O comitê afirma que “o cenário ficou mais desafiador desde a última reunião”. Fala em “aumento significativo das incertezas em torno do cenário base” e diz que o quadro exige “serenidade e cautela”.

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O BC também admite que “monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos”. Na prática, o mercado deixou de acreditar que a inflação volta à meta.

As projeções do próprio Copom pioraram. A estimativa de IPCA para 2026 subiu de 5,2% para 5,6%. A de 2027 foi de 3,9% para 4,7%. O teto da meta é 4,5%.

No cenário externo, o comunicado cita “o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio”, que pressiona o petróleo, e “a manutenção de políticas monetárias restritivas nas economias avançadas”. O comitê diz ainda que acompanha os efeitos da política fiscal sobre a inflação e os preços dos ativos.

Conta do novo mandato pesa nas apostas

Fora do BC, o recado é mais direto: a incerteza sobre as contas do governo Lula no novo mandato virou um dos principais riscos apontados pelos economistas. Para o Goldman Sachs, a chance de uma âncora fiscal crível no curto prazo ficou menor. “As perspectivas para a inflação pioraram, o real se desvalorizou em meio a uma volatilidade significativa”, escreveu Alberto Ramos, economista do banco.

O primeiro boletim Focus depois da eleição subiu a aposta para a Selic no fim deste ano de 13,25% para 13,50%. Para o fim de 2027, a projeção foi a 12,50%. Antes do segundo turno, era 11,75%. Ou seja: o mercado já conta com juro mais alto por mais tempo no quarto mandato de Lula.

PT ataca o mercado, Lula diz confiar em Galípolo

A reação no PT foi mirar o mercado, não as contas. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou o mercado de tentar sabotar o governo e pressionou Galípolo a não aceitar uma “chantagem de quinta categoria”.

Lula seguiu outra linha. “Eu confio no Galípolo. É um bom presidente do Banco Central”, disse. Foi justamente o presidente do BC escolhido por ele que agora trava os cortes, citando inflação fora da meta e expectativas que se afastam do alvo.

Próxima reunião em dezembro

O Copom volta a se reunir em 8 e 9 de dezembro, no último encontro do ano. Com o Focus apontando juros maiores e as projeções de inflação em alta, a pressão sobre a política fiscal do governo chega ao fim de 2026 sem resposta.

Redação Território
Redação Território

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