Dino manda PF apurar interferência estrangeira na campanha de Flávio após eleição
Ex-ministro da Justiça de Lula, Dino assina a ordem dois dias depois do 2º turno. A própria decisão admite que ainda falta verificar se houve dinheiro
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, mandou a Polícia Federal abrir inquérito sobre suspeita de interferência estrangeira na campanha de Flávio Bolsonaro (PL). A decisão é desta terça-feira (27), dois dias depois de Lula vencer o segundo turno.
O alvo central é a Rockbridge Network, grupo conservador americano fundado em 2019 pelo hoje vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e pelo empresário Chris Buskirk. Segundo a decisão, o grupo teria negociado apoio à campanha de Flávio com intermediação dos empresários Tallis Gomes e Pedro Sang, descritos no texto como “em tese ligados” à organização.
A prova, por enquanto, não existe. O próprio Dino escreve que “é necessário verificar se houve efetivo fornecimento de recursos”. Ou seja: a investigação começa sem que o ministro aponte um real que tenha chegado à campanha.
O que Dino manda a PF investigar sobre interferência estrangeira na campanha de Flávio
A ordem saiu na ADPF 1.178, ação apresentada pelo Ibram, o Instituto Brasileiro de Mineração. Na parte final da decisão, Dino determina “a instauração de inquérito policial, na Polícia Federal, em autos apartados”.
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A lista de alvos é ampla. A PF vai apurar a atuação da Rockbridge, publicidade paga por perfis estrangeiros, contatos com empresários e o que o ministro chama de “manipulações algorítmicas” das plataformas digitais.
Dino ainda puxa para o caso as terras raras. Ele fala em “possível vínculo entre apoio eleitoral e o interesse econômico de agentes estrangeiros nas terras raras e nos minerais críticos brasileiros”.
O ministro também alarga o conceito de financiamento proibido. Para ele, “tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos, a vedação ao financiamento estrangeiro alcança toda vantagem economicamente aferível”, “ainda que não haja transferência de dinheiro”. Na prática, abre caminho para investigar a campanha mesmo que nenhum depósito apareça.
O ministro que decide
Dino foi ministro da Justiça de Lula e chegou ao Supremo por indicação do presidente. Agora, com a eleição decidida a favor do petista, é ele quem manda a PF olhar para a campanha do adversário derrotado.
A investigação ficará sob o guarda-chuva do próprio STF. Segundo a decisão, ela “tramitará sob a supervisão do Supremo Tribunal Federal, diante da possível participação de membros do Congresso Nacional”. O texto não diz quais parlamentares.
O PT e o partido Missão, de Renan Santos, já haviam pedido ao Supremo que apurasse o caso. Na mesma decisão, Dino negou o pedido do PT para entrar na ação. O texto diz: “INDEFERIR o ingresso do Partido dos Trabalhadores (PT) como amicus curiae”. O partido de Lula ficou fora do processo, mas a investigação que interessava a ele saiu do mesmo jeito.
O que vem agora
A PF precisa instaurar o inquérito em autos separados e reportar ao Supremo. A apuração vai mirar quem teria feito eventual proposta de apoio, a quem ela teria sido dirigida e por qual instrumento.
Com supervisão do STF e a menção a membros do Congresso, o caso tende a atingir aliados de Flávio no Legislativo. Tudo isso a partir de uma suspeita que, nas palavras do próprio ministro, ainda precisa ser verificada.
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