Hezbollah parabeniza Lula pela reeleição e elogia críticas a Israel
Grupo terrorista libanês apoiado pelo Irã manda 'as mais calorosas felicitações' ao petista, exalta ataques a Israel e aos EUA e pede fim do embargo a Cuba
O Hezbollah, grupo libanês apoiado pelo Irã e classificado como organização terrorista por Estados Unidos, Israel e Reino Unido, parabenizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela reeleição. A mensagem saiu nesta quinta-feira (29) no Al-Manar, a emissora do próprio grupo.
No comunicado, o Hezbollah envia “as mais calorosas felicitações” ao petista. E diz por quê: elogia a defesa que Lula faz da causa palestina, as críticas dele às operações militares de Israel na Faixa de Gaza e a oposição à influência dos Estados Unidos na política internacional.
Até a publicação desta reportagem, o Palácio do Planalto não havia comentado a mensagem.
O que diz o Hezbollah sobre a reeleição de Lula
O texto trata a vitória de Lula como uma vitória das posições que o grupo defende. Além de exaltar as falas do presidente contra Israel, o Hezbollah manifesta apoio ao fim do embargo econômico dos Estados Unidos a Cuba e defende estreitar a cooperação entre Brasil, Líbano e Cuba.
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A mensagem chega quatro dias depois do segundo turno. Em 25 de outubro, Lula derrotou Flávio Bolsonaro (PL) e garantiu o quarto mandato.
Na lista de quem celebra o resultado no exterior, agora aparece uma organização armada que Estados Unidos e Reino Unido tratam como terrorista.
Quem é o grupo que celebra o petista
Fundado em 1982, o Hezbollah é financiado e armado pelo regime do Irã. Além de Estados Unidos, Israel e Reino Unido, a União Europeia incluiu o braço militar do grupo na sua lista de organizações terroristas em 2013.
Desde outubro de 2023, logo depois do massacre cometido pelo Hamas em Israel, o Hezbollah lança ataques contra o território israelense a partir do sul do Líbano.
É esse grupo que agora agradece a Lula pelas posições do Brasil no Oriente Médio.
O histórico de Lula com Israel
O elogio não vem do nada. Em fevereiro de 2024, Lula comparou a ofensiva israelense em Gaza ao Holocausto. A fala abriu uma crise diplomática: o chanceler de Israel declarou o presidente brasileiro persona non grata até que ele se retratasse, e o Brasil chamou de volta seu embaixador em Tel Aviv.
Agora, o petista colhe o aplauso de um grupo que ataca Israel desde 2023.
O resultado aparece agora no comunicado: o grupo armado pelo Irã vê no presidente reeleito do Brasil um aliado das suas causas. O Planalto, até aqui, não disse se aceita ou rejeita os cumprimentos.
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