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Território Quarta-feira, 4 de novembro de 2026

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Presidente do Banco Central do Paraguai renuncia após intervenção no banco Ueno

Carlos Carvallo dirigiu o banco digital até 2023; aposentados ficaram diante de agências fechadas e o Ministério Público pediu investigação criminal

Presidente do Banco Central do Paraguai renuncia após intervenção no banco Ueno
Reprodução/Elnacional

Carlos Carvallo, presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), apresentou a renúncia nesta terça-feira (3). Horas antes, o próprio BC tinha aberto um procedimento de resolução contra o Ueno, banco digital com cerca de 3 milhões de clientes que Carvallo comandou até agosto de 2023.

O motivo da intervenção é o índice de solvência do Ueno, que estava abaixo de 50% do mínimo exigido. A diretoria do BCP decidiu por unanimidade.

“Meu afastamento ajudará a acalmar a controvérsia em torno do BCP”, afirmou Carvallo. Ele disse que segue no cargo enquanto durarem os procedimentos sobre o banco.

Por que o presidente do Banco Central do Paraguai renuncia após a crise do Ueno

O BC e Carvallo vinham sendo criticados pela forma como supervisionaram o Ueno e pelas ligações políticas do banco. A instituição é controlada majoritariamente pelo Grupo Vázquez e estava sob escrutínio por supostas concessões excessivas de crédito a empresas ligadas ao próprio grupo. Segundo o BCP, a Superintendência de Bancos detectou indícios desses créditos ainda em junho.

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O Ueno administra cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos. Só do Instituto de Previsão Social (IPS), a previdência paraguaia, são cerca de US$ 380 milhões presos no banco, incluindo depósitos de aproximadamente 32 mil aposentados. Há também dinheiro da estatal de energia ANDE e da binacional Itaipu.

Com o fechamento, nada funciona. “Procedemos ao fechamento da entidade, portanto, nem o aplicativo, nem os cartões”, disse Liana Caballero, integrante da diretoria do BCP. Clientes não conseguem usar caixas eletrônicos nem a internet banking, e ativos e passivos foram congelados.

Aposentados na porta das agências

Os aposentados que recebem pelo Ueno estavam entre os clientes que encontraram as agências fechadas na terça. “Estamos exigindo acesso ao dinheiro que temos aqui no banco Ueno”, disse Manuel Cáceres, morador de Ñemby, na região metropolitana de Assunção.

O BC garante o pagamento aos aposentados. Pela lei de garantia de depósitos, cada correntista tem cobertura de até 75 salários mínimos, cerca de US$ 39 mil. Carvallo tratou o caso como “um fato pontual e isolado” e disse que a prioridade são os pequenos poupadores. O BCP afirma que não há problema mais amplo no sistema financeiro.

O mercado não comprou a calma. Os títulos em dólar do Ueno com vencimento em 2031 e os títulos soberanos do Paraguai foram pressionados. O Grupo Vázquez e o banco não responderam de imediato aos pedidos de comentário.

O que vem agora no caso Ueno

A Superintendência de Bancos nomeou interventores para levantar a situação patrimonial do banco. O BCP deslocou 120 funcionários para as agências e tem prazo máximo de 15 dias para fechar o balanço que separa ativos e passivos, etapa que antecede o pagamento aos clientes. O órgão diz que tenta encurtar esse prazo.

No campo penal, o Ministério Público pediu a abertura de investigação criminal sobre o caso.

Redação Território
Redação Território

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