‘O desfecho final será a minha prisão’, diz Flávio Bolsonaro ao NYT
Investigado sem nunca ter sido denunciado, senador acusa o Judiciário de agir por motivação política, nega ajuda de Trump e Milei e diz que levará o caminho 'para o túmulo'
O senador Flávio Bolsonaro (PL) disse que já sabe como as investigações contra ele vão terminar. “Eu já sei que o desfecho final será a minha prisão”, afirmou em entrevista ao New York Times publicada nesta quinta-feira (5), em Miami. Foi a primeira entrevista dele desde que deixou o país.
Flávio reafirmou que é inocente e acusou o Judiciário brasileiro de agir por motivação política. Disse que seria condenado se tivesse ficado no Brasil e mirou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, o mesmo que mandou prender o pai dele.
O senador é investigado por suposta corrupção e lavagem de dinheiro. Até hoje, não foi denunciado formalmente por nenhum crime.
O que Flávio Bolsonaro disse ao NYT sobre a prisão e a viagem
Flávio assumiu sozinho a responsabilidade pela saída do país. “A culpa é toda minha”, disse. “Não houve ajuda de ninguém, de nenhum governo.” Ele negou ter recebido apoio do presidente americano, Donald Trump, ou do presidente argentino, Javier Milei.
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Sobre o caminho até os Estados Unidos, se recusou a dar detalhes. “Como cheguei aqui”, afirmou, “levarei isso para o túmulo comigo.” Sobre amigos no exterior, resumiu: “Pode ter havido torcida, mas nada além disso”.
A decisão de partir, contou, veio na manhã seguinte à derrota no segundo turno, quando saía do condomínio em Brasília onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. Ele descreveu a despedida do pai. “Pai, eu já sei. E estou preparado, sei o que preciso fazer.” Depois, deu as costas e foi embora.
Sobre a eleição, resumiu a derrota em quatro palavras: “Perdi para o sistema.”
A versão de autoridades americanas é outra em um ponto. Segundo elas, o jato particular usado pela família foi providenciado por um funcionário da Casa Branca, e Trump autorizou diretamente a entrada do senador no país. Na Argentina, um dos principais assessores de Milei o recebeu no aeroporto. Flávio elogiou Trump por não ter tomado partido: “Ele não tomou partido, o que é a coisa certa a fazer”.
Do passaporte apreendido ao pouso em Miami
A ordem de Moraes que mandou apreender os passaportes do senador e o proibiu de deixar o Brasil veio logo depois do segundo turno, que Flávio perdeu para Lula. O prazo para a entrega dos documentos terminava em 27 de outubro.
Na noite desse mesmo dia, às 22h50, segundo a migração argentina, a família cruzou a fronteira pela Ponte Tancredo Neves, em Misiones. As autoridades argentinas disseram que os quatro apresentaram documentos de viagem válidos e não tinham impedimento legal.
Flávio, a esposa, Fernanda, e as duas filhas embarcaram em Puerto Iguazú num jato particular, fizeram escala no Equador para abastecer e pousaram no aeroporto Miami-Opa Locka na manhã de 28 de outubro.
A ordem de Moraes atingiu um senador no exercício do mandato que nunca foi denunciado. O pai, Jair Bolsonaro, foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão no processo da tentativa de golpe e cumpre a pena em regime domiciliar em Brasília.
O que vem agora
A esposa e as filhas receberam permissão para ficar nos Estados Unidos por pelo menos um ano. “Precisarei seguir com minha vida a partir dos Estados Unidos, pelo menos por enquanto”, disse o senador.
O mandato de Flávio no Senado termina no início de 2027. Sem ele, o senador perde a imunidade parlamentar e o foro privilegiado pela primeira vez em 24 anos, e as investigações passam a correr na primeira instância.
Fora do país e sem acusação formal, Flávio não desiste da disputa política. “Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente.”
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