PM dá cotoveladas em idosa agarrada a poste e a leva à força em BH
Mulher de 61 anos tinha ido ver o filho abordado numa padaria do Santa Inês; corporação alega desacato e resistência e diz que vai apurar
Um policial militar foi filmado dando cotoveladas e empurrões em uma mulher de 61 anos agarrada a um poste em Belo Horizonte. A cena aconteceu no sábado, 24 de outubro, por volta das 17h, na Rua Contagem, no bairro Santa Inês, Região Leste da capital mineira.
A idosa, Ângela Maria de Souza, faxineira, é mãe de um homem que tinha sido abordado minutos antes pela PM numa padaria da rua. Ela foi até o local e acabou presa. Agarrada ao poste, levou os golpes e foi levada à força até o compartimento de presos da viatura.
Com o filho, segundo a própria polícia, nada de ilícito foi encontrado.
O que mostram as imagens das cotoveladas do PM na idosa em BH
O vídeo, gravado por testemunhas, mostra o policial tentando tirar a mulher do poste à força. Ela se segura. O militar desfere cotoveladas e, depois, a conduz aos empurrões até a viatura.
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Uma câmera de dentro da padaria também registrou parte da ação. Ângela fez exame de corpo de delito e ainda tem marcas no braço. Ela conta que foi ao local depois de saber que o filho tinha sido abordado e que pediu aos policiais que não batessem nele.
A confusão não parou nela. Uma funcionária da padaria foi presa depois de chamar um militar de “covarde”. O gerente do estabelecimento também foi levado pela polícia.
A versão da Polícia Militar
Em nota, a Polícia Militar de Minas Gerais diz que a equipe tentou abordar um homem com “diversas passagens pela polícia”. Segundo a corporação, ele fugiu, foi localizado pouco depois na padaria e “não obedeceu às determinações”. Os policiais usaram força para colocá-lo no chão.
Sobre a idosa, a PM afirma que “a mãe do abordado interveio na ação policial, desacatando os militares” e que, “diante da situação, foi dada voz de prisão a ela”. A corporação descreve assim a cena do vídeo: “No momento em que era conduzida para a viatura, a mulher ofereceu resistência, agarrando-se a um poste.”
A justificativa para os golpes cabe numa linha da nota: “Foram empregadas técnicas de contenção para efetuar a condução”.
A PM diz ainda que “dois funcionários de uma padaria desacataram os militares e tentaram impedir a atuação policial” e que todos foram “conduzidos à presença da autoridade de polícia judiciária para as providências cabíveis”.
O que acontece agora
A corporação afirma que os fatos “serão apurados”, “assegurando a lisura e a transparência institucional”. A nota não informa se o policial que aparece no vídeo foi afastado das ruas, se a Corregedoria abriu procedimento nem quando a apuração termina.
Até agora, quem responde por desacato é a mulher de 61 anos que levou as cotoveladas. O militar que aplicou os golpes segue sem nome e sem punição anunciada.
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