Supermercados alertam preço maior com fim da escala 6×1 festejado por Lula
Indústria projeta alta de 5,7% nas compras de supermercado; jornada menor começa a valer em 16 de dezembro, às vésperas do Natal
A conta do fim da escala 6×1 já tem endereço: o carrinho do supermercado. Duas semanas depois de Lula erguer a Constituição na promulgação da emenda, supermercados e varejo correm atrás de novos modelos de contratação e avisam que o custo maior vai chegar ao preço. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) projeta alta de 5,7% nas compras de supermercado.
Entidades do setor, como a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e a Confederação Nacional do Comércio (CNC), alertam para três efeitos: custo maior, repasse ao consumidor e menos contratação com carteira assinada.
O primeiro degrau da mudança entra em vigor em 16 de dezembro. É a semana mais movimentada do ano para o varejo.
Supermercados: preço maior com o fim da escala 6×1
A projeção da CNI vai além do supermercado. Pela conta da entidade, os preços ao consumidor podem subir 6,2% em média. Produtos industrializados ficariam cerca de 6% mais caros, e roupas e calçados, 6,6%. São estimativas, não aumentos já registrados.
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A lógica é simples. A emenda corta horas e mantém salários. Para cobrir os mesmos horários de loja, a empresa precisa contratar mais ou pagar mais. A CNI pediu que o Congresso reavalie os efeitos econômicos da proposta.
No Rio Grande do Sul, a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas) recebeu a aprovação “com preocupação”. Segundo a entidade, a implantação em dezembro pode afetar as vendas de Natal e Ano Novo.
Emenda do PT aprovada em plena eleição
A mudança nasceu da PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). O Senado aprovou o texto em 14 de outubro, em dois turnos, por 75 votos a 1, no meio do calendário eleitoral. Dois dias depois, em 16 de outubro, o Congresso promulgou a Emenda Constitucional 141.
Lula foi à cerimônia, presença incomum em promulgação de emenda. Depois da assinatura, ergueu a Constituição e discursou. “O dia de hoje é um dia que mostra que vale a pena a democracia”, disse o presidente.
O que muda e quando
A emenda garante dois dias de descanso remunerado por semana, sem redução de salário, e mantém o limite de oito horas por dia. A transição tem duas etapas:
- 16 de dezembro de 2026: jornada máxima cai de 44 para 42 horas semanais, com escala 5×2;
- 12 meses depois: o teto passa a 40 horas semanais.
Até lá, supermercados e lojas terão de refazer escalas em dois meses, justamente no pico de vendas do fim de ano. Pelos cálculos da própria indústria, quem paga a diferença é quem empurra o carrinho.
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