Khamenei manda militares responderem a ataque dos EUA “sem restrições geográficas”
Líder supremo do Irã manda atualizar o banco de alvos e pôr bens americanos e israelenses ao alcance das Forças Armadas, às vésperas das eleições nos EUA
O líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, mandou as Forças Armadas do país responderem a qualquer novo ataque dos Estados Unidos e de Israel com uma reação “imediata, de alto impacto e sem restrições geográficas”. A ordem saiu neste sábado (31), em comunicado escrito publicado nos canais oficiais do líder e repercutido pela mídia estatal iraniana.
No mesmo texto, Khamenei mandou os comandantes atualizarem o “banco de dados de alvos militares”. O objetivo, segundo o comunicado, é “garantir que todos os tipos de ativos físicos e não físicos do inimigo EUA-sionista estejam ao alcance das Forças Armadas”.
O recado chega a três dias das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para terça-feira (3). Relatos publicados na imprensa americana apontam que Washington e Tel Aviv já desenharam planos conjuntos para voltar a bombardear o Irã logo depois da votação.
O que Khamenei ordenou contra um ataque dos EUA
A diretriz foi dada depois de uma reunião de Khamenei com a cúpula militar do país, entre eles Ali Abdollahi, Amir Hatami e Ahmad Vahidi. Foi o primeiro encontro do tipo noticiado desde que ele assumiu o cargo.
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O comunicado também deixa claro quem decide o fim de uma nova rodada de combates. “Se os inimigos voltarem a lançar ataques militares ou terroristas, serão as Forças Armadas da República Islâmica e a nação iraniana que vão determinar o momento e as condições para encerrá-los”, diz o texto.
Khamenei ainda chamou a “unidade das frentes” de fator decisivo para a ordem de segurança da região. A expressão é usada por Teerã para se referir à rede de grupos aliados, como o Hezbollah, no Líbano, e o Hamas, em Gaza.
O líder supremo não aparece em público desde que foi alçado ao posto. Ele sucedeu o pai, Ali Khamenei, morto nos primeiros bombardeios da guerra lançada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro. Mojtaba teria sido ferido no mesmo dia.
Planos de novos bombardeios depois das eleições
Segundo a imprensa americana, o chefe do Comando Central dos EUA, almirante Brad Cooper, já apresentou a Donald Trump opções para uma nova ofensiva. Três autoridades de países árabes do Golfo relataram que Washington avisou os aliados da região de que os ataques podem começar já na quarta-feira (4), um dia depois das eleições. A operação seria curta, mas intensa.
O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, pressiona por uma ação conjunta logo depois da votação americana. Arábia Saudita e Turquia pediram a Trump mais tempo para a diplomacia.
A Casa Branca não confirma. Disse que não comenta “planos militares sensíveis que podem ou não existir” e que Trump “mantém todas as opções na mesa”.
Tensão em Ormuz e reação de Teerã
O comunicado vem num momento de escalada no Estreito de Ormuz, rota de boa parte do petróleo do mundo. A Guarda Revolucionária afirma que quatro petroleiros bateram em minas e pegaram fogo na região. Teerã diz controlar boa parte do estreito e ameaça de “destruição” os navios que passarem sem autorização.
Outros nomes do regime engrossaram o tom. O porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, escreveu nas redes que “as chamas da guerra sem dúvida vão envolver uma área geográfica muito mais ampla”. O chanceler Abbas Araghchi afirmou que as Forças Armadas do país “vão agir contra aqueles que ousarem ferir nosso povo”.
Em paralelo, o Catar tenta mediar um acordo. Uma delegação catariana esteve em Teerã, e o vice-presidente americano, JD Vance, enviou uma carta ao governo iraniano. Até agora, segundo a mídia do Irã, Teerã não respondeu. O próximo passo depende do resultado das urnas americanas na terça e da decisão de Trump sobre a ofensiva.
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