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Território Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Política

Janones recusa ser ministro de Lula e mantém ‘Exército’ de ordens no WhatsApp

Deputado diz que fica na Câmara, admite que o canal de militância não é a democracia que defende e já fala em discutir o papel das big techs

Janones recusa ser ministro de Lula e mantém 'Exército' de ordens no WhatsApp
Reprodução/CNN Brasil

O deputado federal André Janones (Rede-MG) descartou assumir um ministério no quarto mandato de Lula. “Eu não vou aceitar nenhum ministério. Está cravado”, disse em entrevista exibida pelo Fantástico no domingo (1º). “Não vou ser ministro do governo Lula. Vou continuar na Câmara dos Deputados representando o povo.”

A recusa vem com um recado. Janones não pretende desmontar o “Exército do Lula”, o canal de WhatsApp que criou na campanha para dar ordens digitais à militância e que passou de 10 milhões de participantes depois do primeiro turno. Segundo ele, a máquina segue ligada para sustentar o presidente.

“Necessário para a gente poder dar governabilidade ao presidente a partir de agora”, afirmou o deputado.

Por que Janones não quer ser ministro de Lula

O nome de Janones ganhou força para a Esplanada justamente pelo tamanho que o canal alcançou na eleição. Na Câmara, ele continua livre para comandar a tropa digital.

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Na mesma entrevista, o próprio criador do “Exército do Lula” reconheceu que o modelo de mobilização não é o que ele considera democrático. “A democracia que eu quero viver é onde você posta o que você quiser na sua rede”, disse. E emendou: “Só que, nesse momento, não dá para ser assim. Até a gente discutir o papel das big techs na nossa sociedade.”

Janones chamou o formato de provisório. “Mas é um modelo que deve servir como transição”, afirmou. Não disse até quando, nem quem decide o fim dessa transição.

Big techs na mira depois da campanha

A fala sobre as plataformas não surge do nada. Durante a campanha, o lado de Lula acusou a Meta de restringir o impulsionamento de conteúdos ligados ao presidente e de favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL), adversário do petista. A empresa negou qualquer interferência e atribuiu os problemas a questões técnicas.

Agora, com a eleição encerrada, um dos principais operadores digitais do governo trata a discussão sobre o “papel das big techs” como condição para desmobilizar a militância organizada por ele. Enquanto essa discussão não vem, a regra continua sendo a do canal: ordem centralizada, distribuída pelo WhatsApp.

Câmara com o PL como maior bancada

O deputado vai defender o governo num plenário bem menos confortável para o Planalto. O PL elegeu 121 deputados em outubro, cerca de 23,6% das 513 cadeiras. É a maior bancada partidária eleita para a Câmara em 40 anos, atrás apenas do antigo PMDB de 1986, com 260 cadeiras.

Em 2022, o partido de Jair Bolsonaro tinha feito 99 deputados. Agora ganhou 22 vagas e, sozinho, supera a federação liderada pelo PT, a Brasil da Esperança, que fez 88.

É nesse cenário que Janones promete usar a militância como ferramenta de pressão para garantir a governabilidade de Lula. Os novos deputados tomam posse em 1º de fevereiro de 2027, quando o governo terá de enfrentar, voto a voto, a maior bancada eleita por um partido em 40 anos.

Redação Território
Redação Território

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