Kassab diz que PSD terá independência e liberdade para criticar governo Lula
Presidente do PSD condiciona apoio à política econômica, aponta 'expectativa ruim' com as contas públicas e ataca os juros
O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, avisou que o partido não vai dar apoio automático ao quarto governo de Lula. Em entrevista nesta segunda-feira (2), ele disse que a legenda vai preservar sua independência e manter a liberdade de criticar medidas que contrariem suas convicções e seu programa.
O recado veio com uma condição clara. Para Kassab, o tamanho da participação do PSD depende da economia. “A intensidade da participação do PSD nessa gestão vai depender muito das propostas e da maneira como o presidente apresentar, em especial como será a condução da sua política econômica”, afirmou.
O dirigente também negou ter recebido convite para assumir um ministério. “Não, não teve convite, então não tem condição nenhuma”, disse. Para ele, falar em cargo agora “seria até uma arrogância”.
Kassab garante independência do PSD diante de Lula
Kassab deixou claro que o apoio do partido não significa alinhamento automático com o Planalto. O PSD, segundo ele, vai votar com o governo no que concordar e criticar o que for contra o seu programa.
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Sobre as notícias de que estaria a caminho de um ministério, foi direto: o que existe, disse, é “especulação”.
Contas públicas e juros no centro da cobrança
A desconfiança com a política fiscal do governo é o ponto central. “Hoje existe uma expectativa ruim em relação ao equilíbrio fiscal, em relação às contas públicas”, afirmou Kassab. Segundo ele, as primeiras sinalizações de Lula sobre a equipe econômica vão definir a relação entre o PSD e o Palácio do Planalto.
O presidente do PSD também atacou o custo do dinheiro no país. “Com esses juros, por exemplo, quem é que quer investir?”, questionou. Kassab ainda cobrou de onde vão sair os recursos para bancar os programas sociais prometidos pelo governo.
Lula pressionado a ir ao centro
Kassab defendeu que Lula se aproxime dos partidos de centro para ampliar sua base no Congresso. A cobrança expõe o tamanho do problema do Planalto: o presidente foi reeleito em 25 de outubro com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro. Uma vitória apertada, que não garante maioria confortável no Legislativo.
Na prática, o partido de Kassab se coloca como fiel da balança. E deixa claro que o preço do apoio será cobrado na economia.
O próximo teste é a escolha da equipe econômica. Kassab disse que os primeiros sinais de Lula nessa área serão determinantes. Sem compromisso com o equilíbrio das contas, o PSD indica que manterá distância e liberdade para criticar, o que deixa o governo reeleito sem garantia de base antes mesmo da posse.
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