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Território Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Economia

‘Nenhum programa social será extinto’: Lula prepara pronunciamento de ajuste fiscal

Depois de prometer manter todos os programas, presidente vai à rede nacional no domingo (8) para acalmar o mercado; promessas de campanha exigem ao menos R$ 39,8 bilhões no Orçamento de 2027

'Nenhum programa social será extinto': Lula prepara pronunciamento de ajuste fiscal
Reprodução/Seudinheiro

Uma semana depois de garantir nas redes que “nenhum programa social será extinto nesse país”, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara um pronunciamento em rede nacional de rádio e TV para sinalizar ajuste nas contas públicas. A fala está prevista para o domingo (8). A conta das promessas de campanha chega a pelo menos R$ 39,8 bilhões no Orçamento de 2027.

O discurso foi desenhado depois de horas de reunião no Palácio da Alvorada, na terça-feira (3), com os ministros Dario Durigan (Fazenda) e Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento). Na pauta, corte de gastos e medidas de arrecadação. Do Alvorada, Lula seguiu para São Paulo, onde fez exames médicos.

O destinatário do recado é o mercado. No primeiro pregão depois da reeleição, a Bolsa acionou o circuit breaker e fechou em queda de quase 14%.

O que Lula deve dizer no pronunciamento de ajuste fiscal

Será o primeiro pronunciamento formal do presidente em rede nacional desde a vitória sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, em 25 de outubro. Lula já havia sinalizado a intenção de falar ao país na semana passada, depois de um almoço com o deputado André Janones (Rede-MG).

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A previsão é que o presidente diga que vai continuar perseguindo as metas fiscais sem abandonar as promessas de campanha. As medidas concretas de ajuste ficam para as próximas semanas, e o discurso pode se limitar a diretrizes gerais. No roteiro também estão agradecimentos aos eleitores, acenos a mulheres, estudantes e idosos e um apelo à unidade nacional.

Do lado do governo, Durigan afirmou que Lula vai arrumar as contas sem “cavalo de pau” e sem “loucuras na economia”.

A conta das promessas

O ajuste precisa caber ao lado de uma lista de compromissos assumidos na campanha. Entre eles estão a ampliação do Pé-de-Meia, a criação de benefícios para universitários, o aumento dos pagamentos de programas sociais e investimentos em segurança pública. Somadas, as novas medidas exigem ajustes de pelo menos R$ 39,8 bilhões no Orçamento de 2027.

A promessa de não mexer em nenhum programa social, gravada em vídeo publicado no perfil oficial do presidente no dia 1º de novembro, estreita ainda mais a margem. Durante a campanha, Lula usou a palavra “babaquice” ao tratar de superávit primário. Agora, eleito, recorre à TV para convencer investidores de que vai cumprir a meta.

O mercado cobrou a fatura

A reação veio na segunda-feira, 26 de outubro, primeiro pregão após o segundo turno. A B3 interrompeu os negócios com o circuit breaker logo no início da sessão, e o Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos. O dólar disparou 8,25% e terminou o dia a R$ 5,40.

Desde então, o governo não apresentou nenhuma medida concreta para conter a desconfiança. O pronunciamento de domingo será o primeiro teste: Lula terá de explicar, em rede nacional, como pretende cortar gastos sem tocar nos programas que prometeu manter e ainda pagar R$ 39,8 bilhões em novas promessas.

Redação Território
Redação Território

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