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Território Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Justiça

Hugo Motta discutiu sociedade com Vorcaro em terreno da cunhada bancado pelo Master

Mensagens achadas pela PF no celular do banqueiro mostram o presidente da Câmara citando o "formato de sociedade que ficou combinado" num negócio de pelo menos R$ 22 milhões

Hugo Motta discutiu sociedade com Vorcaro em terreno da cunhada bancado pelo Master
Reprodução/Metrópoles

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tratou com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, de um “formato de sociedade” na compra de um terreno em João Pessoa. A área, de uma antiga fábrica de cimento, foi comprada pela empresa da cunhada do deputado, Bianca Medeiros, com pelo menos R$ 22 milhões emprestados pelo próprio Master.

As conversas estão no celular de Vorcaro, apreendido em novembro de 2025, e são analisadas pela Polícia Federal nas investigações sobre o banco. Os diálogos são de março de 2024, antes de Motta assumir o comando da Câmara.

Numa das mensagens, Motta escreve que a cunhada “não tá sabendo do formato de sociedade que ficou combinado”. A frase bate de frente com a versão da própria Bianca, que afirmou em nota que o deputado não tem qualquer participação na empresa.

O que dizem as mensagens de Hugo Motta e Vorcaro sobre o terreno da cunhada

Em 9 de março de 2024, Motta procurou Vorcaro para falar da “negociação de compra de área aqui de JP”. No mesmo contato, avisou o banqueiro sobre a troca de dono da empresa: “Conforme falamos, já temos os documentos assinados passando a empresa para minha cunhada.”

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A resposta de Vorcaro indica o caminho do dinheiro e da parceria: “Vamos fazer uma operação rápida com a Adriana. Em paralelo, organizamos a questão da sociedade”. Sobre o andamento do caso, o banqueiro completou: “entre nós, resolvemos depois”.

Naquele mesmo mês, Bianca contraiu o empréstimo com o Master. Documentos mostram que todas as cotas da ETC Participações, empresa controlada por ela, foram dadas em garantia fiduciária ao banco. No terreno, o plano é erguer um novo bairro.

Em 15 de março de 2024, com o negócio fechado, Motta agradeceu a Vorcaro pela “confiança e a parceria” e disse que tudo tinha dado certo a tempo de cumprir o contrato. “Depois vamos marcar uma conversa para traçar os próximos passos, acredito que vamos ter êxito no projeto!”, escreveu o deputado. Vorcaro devolveu: “Muito feliz de estarmos juntos! Te admiro muito e esse é o início de uma parceria de vida”.

Segundo investigadores com acesso ao caso, as conversas indicam que Motta pediu diretamente a Vorcaro a liberação do financiamento para a empresa da cunhada.

Jatinho, hotel em Lisboa e crédito de carbono

O terreno não é o único ponto da relação. Em 27 de abril de 2024, Motta perguntou ao banqueiro sobre um voo para Brasília saindo de Guarulhos, e Vorcaro confirmou que o avião estaria à espera dele.

A PF já havia mostrado que Vorcaro pagou diárias para Motta num hotel de luxo em Lisboa, em 2024. Segundo a investigação, foram autorizadas cinco diárias numa “suíte jr.” do Four Seasons. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) também esteve na viagem.

Em 19 de novembro de 2024, Vorcaro pediu um encontro a Motta. O deputado aceitou e mandou ao banqueiro um texto aprovado no Senado sobre o mercado de créditos de carbono, área em que Vorcaro tinha investimentos.

O que diz Motta e o que vem agora

Motta nega irregularidade. Em nota, afirmou que “não há nenhum ilícito retratado nos diálogos publicados” e disse repudiar “a tentativa de atribuir conversas descontextualizadas a qualquer relação de interesse espúrio ou de favorecimento”. Sustenta que o contrato foi feito antes das investigações sobre o Master.

Sobre o empréstimo, o deputado defendeu a operação como regular. “Quando você precisa de um empréstimo, você procura quem?”, disse em entrevista. A defesa de Vorcaro não comentou e diz estar à disposição das autoridades.

Não há denúncia contra Motta. As mensagens fazem parte da Operação Compliance Zero, e a PF apura se houve contrapartida ao empréstimo. Os investigadores também analisam uma emenda de Motta que obriga seguradoras e instituições financeiras a aplicar recursos em créditos de carbono, medida que, segundo a apuração, poderia beneficiar negócios da família de Vorcaro.

Redação Território
Redação Território

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