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Território Terça-feira, 3 de novembro de 2026

Justiça

‘Moraes destruiu minha vida’, diz Zambelli sem conta bancária na Itália

Ex-deputada diz que nenhum banco aceita abrir conta para ela, que sem isso não consegue emprego e pede R$ 50 por mês a apoiadores

'Moraes destruiu minha vida', diz Zambelli sem conta bancária na Itália
Reprodução/Jovem Pan

“Moraes destruiu minha vida.” Foi assim que a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) resumiu, em vídeo publicado nas redes sociais na segunda-feira (2), a situação em que vive na Itália. Segundo ela, as medidas do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, a deixaram sem acesso a qualquer conta bancária.

“Nenhum banco abre conta para mim”, afirmou. Zambelli diz que a restrição vale na Itália e em outros países. Sem conta no próprio nome, conta ela, nenhum empregador consegue contratá-la. Ou seja: está impedida de trabalhar e de receber salário.

Para se manter no país enquanto a Justiça italiana decide sobre o pedido de extradição feito pelo Brasil, a ex-deputada lançou uma comunidade por assinatura de R$ 50 por mês, com conteúdos exclusivos e relatos do período em que ficou presa. “Se você um dia me admirou, eu te peço essa ajuda”, disse aos seguidores.

Zambelli culpa Moraes por ficar sem conta bancária na Itália

No vídeo, Zambelli aponta Moraes como responsável direto pelo bloqueio. Ela diz que o ministro bloqueou seus bens e incluiu seu nome na Interpol classificado como crime financeiro, o que, segundo a ex-deputada, fecha as portas dos bancos em qualquer lugar do mundo.

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“Trago essa situação porque não tenho como resolver”, afirmou.

Em junho de 2025, Moraes congelou os bens de Zambelli e mandou prendê-la preventivamente, a pedido da Procuradoria-Geral da República. Ela já estava na Itália, onde tem cidadania. Seu nome entrou na lista vermelha da Interpol, e ela foi presa no fim de julho de 2025 em um apartamento no país. Passou meses no presídio feminino de Rebibbia, em Roma, e hoje responde em liberdade.

Justiça italiana viu Moraes como juiz e vítima

A ex-deputada tem duas condenações definitivas no STF. A primeira, de 10 anos, por falsidade ideológica e invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça, no caso que envolveu o hacker Walter Delgatti Neto. Segundo a acusação, ela teria sido a mentora da inserção de um falso mandado de prisão contra o próprio Moraes. A segunda, de 5 anos e 3 meses, por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, pelo episódio em que perseguiu armada o jornalista Luan Araújo em São Paulo, na véspera do segundo turno de 2022.

O ponto que pesa contra o ministro veio de fora. No processo do CNJ, a Justiça italiana negou a extradição pedida pelo Brasil por entender que Moraes acumulou as funções de juiz e de vítima no mesmo caso. É a crítica que a direita faz há anos aos inquéritos conduzidos pelo ministro, agora registrada por um tribunal estrangeiro.

No outro processo, os juízes italianos anularam a decisão que autorizava a extradição e mandaram reexaminar o caso. Rejeitaram a tese de perseguição política, mas cobraram do Brasil mais informações sobre atendimento médico e condições de saúde no sistema prisional.

O que vem agora

A audiência sobre a extradição, que estava prevista para outubro, foi remarcada pela Justiça italiana para 24 de novembro. A defesa pediu mais prazo para analisar os documentos enviados pelo Brasil sobre as condições de detenção e a assistência médica na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, a Colmeia, para onde Zambelli seria levada.

Até lá, a ex-deputada diz depender dos apoiadores para pagar as contas num país onde, segundo ela, nenhum banco aceita seu nome por causa de Moraes.

Redação Território
Redação Território

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