Covid avança em 19 unidades da Federação e Fiocruz vê alta de casos graves
Casos sobem há seis semanas nas cinco regiões, positividade dos testes cresce há nove e Covid responde por quase um quarto das mortes por vírus respiratório
A Covid-19 voltou a crescer no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, os casos estão em tendência de alta há seis semanas seguidas em 19 unidades da Federação, espalhadas pelas cinco regiões do país e em todas as faixas etárias. A taxa de positividade dos testes sobe há nove semanas consecutivas.
Desde janeiro, o país soma 118.851 notificações de síndrome gripal por Covid, com dados até 4 de novembro. Até 31 de outubro, foram 3.479 internações por síndrome respiratória aguda grave (SRAG) com o coronavírus e 437 mortes.
O sinal chegou aos hospitais. O boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado na quinta-feira (5), aponta aumento dos casos graves de Covid em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Mato Grosso e Distrito Federal.
Onde a Covid está em alta
A lista do ministério inclui Rondônia e Roraima, no Norte; Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco e Piauí, no Nordeste; Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso, no Centro-Oeste; Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo, no Sudeste; e Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, no Sul.
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Mesmo com seis semanas de alta seguida, o Ministério da Saúde mantém a classificação de atividade “baixa” em todos os estados.
O sequenciamento genético registrou 2.199 amostras até a semana epidemiológica 42. Foram identificadas 127 linhagens do vírus, e cerca de 90% pertencem à XFG ou a variantes derivadas dela.
Fiocruz vê alta de casos graves de Covid em cinco UFs
O InfoGripe analisou a semana epidemiológica 43, de 25 a 31 de outubro. Em Mato Grosso, a Covid é a principal responsável pelo crescimento das internações por SRAG. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina e no Distrito Federal, a incidência ainda está em nível muito baixo, mas com sinal de aumento.
O peso do vírus nas mortes chama atenção. Nas últimas quatro semanas, a Covid apareceu em 8,5% dos casos graves com vírus respiratório identificado, mas em 24,1% dos óbitos desse grupo. Ou seja: responde por uma fatia pequena das internações e por quase um quarto das mortes.
O boletim também mostra crescimento de casos graves por outros dois vírus. O rinovírus respondeu por 50,1% dos casos positivos e 43% das mortes nas últimas quatro semanas. O metapneumovírus avança principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro, Santa Catarina, Paraná, Bahia, Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Sergipe.
Em 2026, o país já registrou 171.369 casos de SRAG. A incidência é mais alta entre crianças de até 2 anos, e a mortalidade, entre pessoas a partir de 65 anos.
Vacina e grupos de risco
Idosos, imunocomprometidos e pessoas com algumas doenças crônicas têm o maior risco de Covid grave. A Fiocruz reforça que a vacina é a principal proteção.
“A principal forma de prevenção contra casos graves e óbitos por Covid-19 é a vacinação”, afirma Tatiana Portella, pesquisadora do Programa de Computação Científica da Fiocruz, responsável pelo InfoGripe. Segundo ela, “é essencial que as pessoas dos grupos prioritários estejam em dia com a vacina contra o vírus”.
Pelo Calendário Nacional de Vacinação, quem tem 60 anos ou mais deve tomar uma dose a cada seis meses. Gestantes recebem uma dose a cada gravidez, e crianças pequenas tomam duas ou três doses, conforme a vacina usada. Imunocomprometidos devem se vacinar periodicamente.
Os dados do InfoGripe cobrem as oito últimas semanas e ainda podem ser revisados.
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