Papa Leão XIV recusa beijo no anel de Lacalle Herrera em Montevidéu
Ex-presidente uruguaio se inclinou para beijar o anel, o papa tirou a mão, Lacalle insistiu e a cena terminou num aperto de mão
O papa Leão XIV recusou o beijo no anel que o ex-presidente do Uruguai Luis Alberto Lacalle Herrera tentou dar nesta sexta-feira (6), na recepção oficial na Plaza Independencia, em Montevidéu. O pontífice tirou a mão na hora. Lacalle insistiu por alguns segundos. O papa voltou a recusar, e o cumprimento terminou num aperto de mão, com os dois se olhando nos olhos.
A cena foi registrada pela transmissão oficial da visita e se espalhou pelas redes sociais poucas horas depois. Foi o primeiro dia do papa em solo uruguaio, abertura de uma viagem pela América do Sul que segue para Argentina e Peru.
O episódio aconteceu antes dos discursos. Leão XIV chegou à praça de papamóvel, depois de percorrer a rambla de Montevidéu, e passou a cumprimentar as autoridades que o esperavam.
Como o papa Leão XIV evitou o beijo de Lacalle Herrera no anel
Pouco antes das 18h, o papa caminhou por um tapete vermelho ao lado do presidente uruguaio, Yamandú Orsi. Estava no país havia menos de uma hora e meia.
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Na fila de autoridades, Leão XIV cumprimentou primeiro a vice-presidente do Uruguai e depois o ex-presidente Julio María Sanguinetti, com aperto de mão.
Na vez de Lacalle Herrera, o ex-presidente estendeu a mão e se inclinou para beijar o anel do pontífice. Leão XIV reagiu de imediato e afastou a mão. Lacalle não desistiu e tentou de novo levar a mão do papa aos lábios. O papa negou outra vez, com firmeza. Os dois fecharam o encontro com um aperto de mão.
Em seguida, o papa cumprimentou o ex-presidente Luis Lacalle Pou, filho de Lacalle Herrera, e subiu ao palco com Orsi.
O gesto do beijo no anel
O beijo no anel do pescador, símbolo do pontificado, é um gesto tradicional de reverência ao papa entre católicos. Na recepção em Montevidéu, todas as autoridades da fila foram saudadas com aperto de mão, e só Lacalle Herrera tentou o beijo.
Lacalle Herrera, de 85 anos, governou o Uruguai entre 1990 e 1995 pelo Partido Nacional, o Partido Blanco, de centro-direita. O filho, Lacalle Pou, presidiu o país de 2020 a 2025 pelo mesmo partido. Os dois estavam na praça ao lado de Sanguinetti, num gesto de convivência entre ex-presidentes de partidos diferentes que Orsi destacou no discurso.
A agenda do papa no Uruguai
Depois do episódio, Leão XIV discursou na praça. Falou de acesso à saúde e relacionou a própria cirurgia recente no pulmão às dificuldades de quem não consegue diagnóstico e tratamento. Tratou também de trabalho, família, continuidade democrática e da transição do Uruguai para energia renovável. Sobre o Estado laico, defendeu a convivência entre crentes e não crentes e disse que a neutralidade do Estado não deve empurrar a religião só para a vida privada.
Ao anoitecer, o papa foi ao Cabildo, onde recebeu as chaves da cidade, e encerrou o dia com celebração na Catedral Metropolitana de Montevidéu. A visita ao Uruguai vai até domingo (8), com passagem prevista por Paysandú e pela festa da Virgem dos Treinta y Tres, padroeira do país, antes de o papa seguir para a Argentina e o Peru.
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