Lula vence Flávio na apuração do 2º turno e terá PL como maior bancada no Congresso
Senador chegou a abrir 333 mil votos e liderou por cerca de 40 minutos; com 99,9% apurado, petista tem 51,77% e vai para o quarto mandato diante da maior bancada do PL na Câmara e no Senado
Lula (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno da eleição presidencial neste domingo (25). Com 99,9% das urnas apuradas pelo TSE, às 21h38, o petista tinha 51,77% dos votos válidos (64.171.319 votos) contra 48,23% do senador (59.790.152). A diferença é de 4.381.167 votos. Por volta das 21h10, com 98,27% das seções totalizadas, a vantagem já não podia ser revertida.
O quarto mandato começa com o Congresso nas mãos da oposição. O PL elegeu 121 deputados e terá a maior bancada da Câmara. No Senado, o partido de Flávio deve chegar a 28 das 81 cadeiras a partir de fevereiro de 2027, a maior bancada de um só partido no início de uma legislatura desde 1988. O recorde anterior era do MDB, com 27 senadores em 1999.
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Flávio chega ao fim da noite como o candidato que venceu o 1º turno, em 4 de outubro, com 47,03% dos votos válidos contra 45,16% de Lula. Na contagem deste domingo, ele chegou a passar o petista e liderou por cerca de 40 minutos.
Apuração do 2º turno: Flávio liderou, Lula virou no fim
A largada foi de Lula. As primeiras seções totalizadas vieram de Goiás, Bahia, Maranhão, Pará e Ceará, quatro deles redutos do PT. Com 0,25% das urnas apuradas, o petista tinha 57,66% contra 42,34% de Flávio.
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Conforme urnas de outras regiões entraram na conta, a distância derreteu. Flávio assumiu a ponta por volta das 19h47, com cerca de 14% apurado. Às 19h58, com 20,05%, tinha 50,41%. Às 20h11, com 30,82%, o senador somava 50,44% (19.160.811 votos) contra 49,56% de Lula (18.827.520), uma vantagem de 333.291 votos.
A partir daí, a vantagem começou a cair. Às 20h26, com 48,42% das seções, Lula voltou à frente por 41.053 votos. Às 20h54, com 80,75%, a diferença já passava de 2,6 milhões. Às 21h16, com 99,77%, era de 4,35 milhões.
Pela manhã, Flávio votou dizendo que “chegou a hora da mudança, o Brasil não aguenta mais, a vida de todo mundo piorou”. Até as 21h40, ele não tinha se pronunciado sobre o resultado.
Prorrogação de Zanin parou a contagem por duas horas
A totalização ficou travada por quase duas horas. Às 17h11, com a apuração já iniciada, o ministro Cristiano Zanin, do STF, atendeu a um pedido da campanha de Lula e prorrogou a votação até as 19h, citando “a gravidade dos fatos narrados”. A campanha alegava problemas no transporte de eleitores em Salvador, Feira de Santana e Lauro de Freitas. A campanha de Flávio também pediu mais tempo em municípios de São Paulo, Paraná e Santa Catarina afetados pelas chuvas.
O Ministério Público Eleitoral se manifestou contra a prorrogação. Mesmo assim, a decisão saiu, e o TSE suspendeu a divulgação dos resultados às 17h27, com Lula ainda em 57,66%. Às 18h17, Zanin esclareceu que a medida valia só para os locais onde as urnas ainda não tinham sido encerradas. Em Salvador, seções chegaram a reabrir os portões. O TRE do Rio Grande do Sul avisou que não reabriria locais já fechados.
A oposição reagiu na hora. “Estão tumultuando uma eleição pela certeza da derrota”, disse o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio, chamou a medida de “decisão vergonhosa e intempestiva de um ministro do STF que era advogado do atual presidente”. E completou: “Eleição para o PT é aquela que eles ganham, quando eles perdem é ditadura. Lamentável.” O senador eleito Marcel van Hattem (PL-RS) disse que vai pedir o impeachment de Zanin. Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que a prorrogação serve para criar uma “narrativa de golpe”.
O PT ainda pediu ao TSE a extensão do horário em outros nove estados. O presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, não decidiu o pedido e o enviou aos tribunais regionais.
O que vem depois: governo sem maioria
Lula passou a manhã de domingo no ataque. Acusou Flávio de mentir, chamou o adversário de miliciano e questionou a compra de um imóvel pelo senador. No mesmo dia, disse que vai aceitar o resultado.
Agora, o presidente vai governar com a direita mais forte no Parlamento desde a redemocratização. Nenhum partido terá maioria sozinho na Câmara, mas a coligação de Lula soma 124 deputados, só três a mais que o PL sozinho. No Senado, PT e MDB terão menos de dez cadeiras cada, contra 28 do PL. Cada projeto do quarto mandato vai depender do Centrão e do aval de uma Casa onde o partido de Flávio dá as cartas.
O TSE ainda precisa concluir a totalização e proclamar o resultado oficial. A posse do novo Congresso, com a bancada recorde do PL, está marcada para 1º de fevereiro de 2027.
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