‘Nós vamos tomar o poder’: Dirceu, ex-ministro de Lula, separou poder de eleição em 2018
Às vésperas do 1º turno de 2018, o ex-chefe da Casa Civil disse que tomar o poder 'é diferente de ganhar uma eleição'; depois chamou a frase de infeliz
José Dirceu, ex-ministro da Casa Civil de Lula e ex-presidente do PT, disse em setembro de 2018, em entrevista a um jornal espanhol, que o partido chegaria ao poder de qualquer jeito. “E dentro do País é uma questão de tempo pra gente tomar o poder”, afirmou. E completou: “Aí nós vamos tomar o poder, que é diferente de ganhar uma eleição”.
A fala veio na reta final da campanha de Fernando Haddad, candidato do PT ao Planalto naquele ano. Pegou mal dentro do próprio partido. Dirigentes petistas repreenderam Dirceu, e a campanha de Haddad tratou de se afastar dele.
A frase voltou a circular agora, depois de uma campanha em que o próprio Dirceu tentou voltar à Câmara pelo PT e ficou de fora.
O que Dirceu disse sobre tomar o poder
A declaração foi dada no meio de uma resposta sobre o cenário do país. Dirceu separou duas coisas que, numa democracia, deveriam ser uma só: vencer nas urnas e exercer o poder. Para ele, ganhar a eleição não bastava. O objetivo era “tomar o poder”.
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Dias depois, em 30 de setembro de 2018, no lançamento do primeiro volume de sua biografia em São Luís, Dirceu recuou. Admitiu ter usado uma expressão “infeliz” e tentou mudar o sentido do que disse. “Eu estava respondendo no caso de um golpe”, afirmou.
A explicação não convenceu nem os aliados. Segundo um interlocutor do partido, a avaliação no PT era de que Dirceu estava “falando demais”. A ordem na campanha de Haddad foi tratar como nulo o papel dele, para que as falas não contaminassem a candidatura.
Não era a primeira vez que Dirceu falava em fazer política naquela temporada. No início da viagem de lançamento do livro, em 4 de setembro, avisou: “E como sempre, vou fazer política, que ninguém é de ferro”.
O histórico do braço direito de Lula
Dirceu foi o homem forte do primeiro governo Lula. Deixou o mandato de deputado em 2003 para assumir a Casa Civil e ficou no cargo até junho de 2005, quando saiu em meio à crise do mensalão.
Voltou à Câmara e teve o mandato cassado em dezembro de 2005 por quebra de decoro parlamentar. Em 2012, o STF o condenou por corrupção ativa no mensalão, e ele foi preso no ano seguinte.
Em 2015, foi preso de novo, desta vez na Lava Jato, e condenado. Em 2024, o STF anulou essas condenações, e o STJ encerrou os processos que restavam no fim daquele ano. O caminho ficou livre para a volta às urnas.
A volta frustrada em 2026
Com as condenações da Lava Jato derrubadas, Dirceu disputou uma vaga de deputado federal por São Paulo pela Federação Brasil da Esperança, que reúne PT, PCdoB e PV.
Nas urnas de 4 de outubro, recebeu 78.439 votos e não se elegeu.
Oito anos depois de dizer que tomar o poder “é diferente de ganhar uma eleição”, Dirceu não ganhou a eleição que disputou.
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