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Território Terça-feira, 27 de outubro de 2026

Justiça

‘Em que tipo de país?’: Moro questiona Moraes por apreender passaporte de Flávio

Governador eleito do Paraná diz que o Brasil segue longe da normalidade institucional depois que a PF intimou o senador um dia após o 2º turno

'Em que tipo de país?': Moro questiona Moraes por apreender passaporte de Flávio
Reprodução/Metrópoles

O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), questionou nesta terça-feira (27) o ministro Alexandre de Moraes, do STF, pela ordem que tirou os passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL) logo depois da eleição presidencial.

“Em que tipo de país o candidato da oposição à presidência, que teve 59 milhões de votos, tem o seu passaporte apreendido no dia seguinte à eleição?”, escreveu Moro no X. E completou: “O Brasil segue longe da normalidade institucional.”

Flávio recebeu 59,8 milhões de votos no segundo turno. Na segunda-feira (26), menos de 24 horas depois do fim da votação, foi abordado pela Polícia Federal no meio da rua e intimado a entregar os passaportes.

Moro questiona Moraes sobre passaporte de Flávio

A crítica de Moro vai ao ponto que mais incomoda na decisão: o momento. O senador que liderou a oposição na disputa contra Lula foi alvo da medida no primeiro dia útil depois de perder a eleição por cerca de 4,4 milhões de votos.

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Ex-juiz e ex-ministro da Justiça, Moro voltou a governar o Paraná pelo PL e se soma às vozes da direita que veem no Supremo um poder sem freio. Para ele, a cena de um candidato a presidente com o passaporte retido no dia seguinte à votação mostra um país fora da normalidade.

O que Moraes decidiu

A ordem de Moraes saiu num inquérito que corre sob sigilo no STF. Ela obriga Flávio a entregar os passaportes, inclusive o diplomático, em 24 horas, cancela os documentos e proíbe o senador de deixar o país.

O ministro também proibiu Flávio de manter contato, direto ou indireto, com o advogado Willer Tomaz. Os dois são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro. Flávio e Tomaz negam qualquer irregularidade, e a defesa do senador afirma que a relação se limita à amizade entre as famílias.

Flávio contou em vídeo que foi abordado ao sair da casa do pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. “A Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele”, disse. Segundo o senador, a decisão se apoiou numa fala do irmão, Eduardo Bolsonaro, de 23 de outubro, de que ele deveria deixar o país se perdesse. “Eu nunca falei isso”, afirmou. “Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça?”

A deputada Duda Salabert (PSOL-MG) comemorou a medida e disse que havia pedido à Justiça a apreensão do passaporte de Flávio.

O que vem agora

Flávio disse que vai entregar os passaportes e se defender no processo. Também avisou que não vai recuar na política. “Não vão me calar. Não vão me intimidar”, declarou.

O senador anunciou que vai pedir a cassação da chapa de Lula “por todos os abusos que ele cometeu” na campanha e que pretende organizar a oposição no Congresso, onde o PL elegeu 121 deputados e 19 senadores. “Para resistir ao caos, eu vou organizar a oposição”, afirmou.

Redação Território
Redação Território

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