Ibovespa despenca 18% após reeleição de Lula e dólar vai a R$ 5,44
Bolsa tem a pior semana desde a pandemia, com circuit breaker no primeiro pregão pós-eleição; moeda americana sobe 9,15%, maior alta semanal desde a crise de 2008
A primeira semana depois da reeleição de Lula terminou com a Bolsa brasileira em queda livre. O Ibovespa fechou esta sexta-feira (30) aos 167.921,80 pontos, recuo de 0,75% no dia e de 18,12% na semana. É a pior semana do índice desde março de 2020, quando a pandemia derrubou os mercados em 18,88%.
Foram cinco pregões seguidos no vermelho. Logo na segunda-feira (26), primeiro dia de negócios depois das urnas, a queda foi tão forte que a B3 acionou o circuit breaker, o mecanismo que interrompe as negociações quando o tombo passa do limite.
O dólar foi pelo mesmo caminho. A moeda americana fechou a R$ 5,446, alta de 1,09% no dia e o maior valor de fechamento de 2026. Na semana, subiu 9,15%, a maior alta semanal desde outubro de 2008, em plena crise financeira internacional.
O tamanho do estrago
Outubro fecha com o Ibovespa em queda de 9,88%, o pior mês desde junho de 2022. No câmbio, o dólar acumula alta de 5,27% no mês.
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O dinheiro de fora também foi embora. Investidores estrangeiros retiraram cerca de R$ 7,6 bilhões do mercado secundário de ações só nos três primeiros pregões da semana.
Os bancos ajudaram a puxar a queda. Nesta sexta, BTG Pactual caiu 4,66%, Santander Brasil recuou 2,84%, Itaú Unibanco perdeu 2,15% e Bradesco, 2,12%. Siderúrgicas também afundaram: Usiminas despencou 8,59% e CSN, 8,49%.
Por que Ibovespa e dólar reagiram tão mal à reeleição de Lula
O mercado tinha apostado na troca de governo. Segundo Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, os investidores estavam posicionados para uma vitória de Flávio Bolsonaro, e o resultado provocou uma reprecificação brusca. Ela aponta “forte cautela quanto à composição da nova equipe econômica”.
Nicolas Gass, sócio e chefe de alocação da GT Capital, resume: “O ponto central é que o mercado tinha apostado numa troca de governo e numa virada fiscal”. Para ele, “sem dúvidas, a continuidade do governo reduz a expectativa de mudança nas contas públicas”.
O economista Pablo Spyer foi mais direto em transmissão ao vivo: “Lula 4 será igual a Lula 3 sem mudanças relevantes na condução fiscal”.
A leitura tem base no histórico. Ao longo do terceiro mandato, o governo apostou em ampliar gastos e nunca entregou um controle convincente das contas públicas. Com a perspectiva de mais quatro anos da mesma receita, os juros longos sobem e fica mais difícil o Banco Central cortar a Selic com força.
O cenário externo também pesou nesta sexta, com o S&P 500 em queda de 1,82% por temor com gastos em inteligência artificial. Mas nenhuma outra praça teve uma semana parecida com a brasileira.
O que vem agora
Cinco dias depois da eleição, Lula ainda não disse quem vai comandar o Ministério da Fazenda em 2027. O mercado espera o nome e as primeiras medidas para as contas públicas para saber se a sangria para.
Antes do feriado de Finados, na segunda-feira (2), a procura por proteção em dólar aumentou. Na próxima semana, o Itaú divulga seu balanço, e a pressão sobre o governo para mostrar um plano fiscal crível só cresce a cada pregão sem resposta.
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