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Território Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Mundo

Ameaças de bomba atingem ao menos 14 voos na Europa e desviam aviões

Avião da Aer Lingus com 157 pessoas a bordo pousa em base militar na França, caças escoltam jato da Finnair até Roma e nenhum explosivo é encontrado

Ameaças de bomba atingem ao menos 14 voos na Europa e desviam aviões
Reprodução/Irishtimes

Ameaças de bomba atingiram ao menos 14 voos comerciais na Europa nesta quinta-feira (5). Aviões foram desviados, esvaziados e revistados em pelo menos sete países. Nenhum explosivo foi encontrado até agora, e ninguém assumiu a autoria.

O caso mais grave foi o do voo EI402 da Aer Lingus, que ia de Dublin para Roma. O Airbus A320 cruzou o Canal da Mancha na rota normal, desviou a sudoeste de Paris, circulou o aeroporto de Chartres e pousou na base aérea de Évreux, na Normandia. Havia 151 passageiros e seis tripulantes a bordo. Segundo o gabinete do primeiro-ministro francês, todos foram levados a um local seguro. Um passageiro relatou mais de 40 minutos de espera dentro do avião até a chegada do esquadrão antibombas.

“O voo EI402 da Aer Lingus, de Dublin para Roma, foi desviado para a Normandia nesta manhã como precaução de segurança”, informou a companhia.

Ameaças de bomba chegaram por e-mail e telefone a voos de toda a Europa

O outro voo com destino a Roma, o AY1761 da Finnair, saiu de Helsinque e entrou no espaço aéreo italiano escoltado por caças da Força Aérea da Itália. O avião levava 144 passageiros e sete tripulantes. O esquadrão antibombas revistou a aeronave em Fiumicino e não achou nada. Um segundo voo da Finnair, de Helsinque para Viena, com 177 passageiros e seis tripulantes, também foi alvo. A empresa classificou as duas ameaças como infundadas.

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Segundo a polícia italiana, as ameaças contra os dois voos de Roma chegaram num e-mail anônimo, escrito em italiano, enviado à operadora do aeroporto. A mensagem se dizia contrária ao “regime feminista” do país, hoje governado pela primeira-ministra Giorgia Meloni.

A Ryanair teve voos atingidos em série. Dois aviões, vindos de Copenhague e de Madri, pousaram normalmente em Sófia, na Bulgária, e o Ministério dos Transportes búlgaro disse que nada foi encontrado. Um terceiro, de Londres para Sófia, foi desviado para Plovdiv. Na Irlanda, um voo de Londres Stansted para Cork recebeu ameaça por telefone às 6h. O Boeing 737 foi esvaziado, todas as malas foram examinadas e a polícia irlandesa declarou o caso um trote.

A Wizz Air teve dois voos na mira. Um, de Milão para Varsóvia, foi desviado e pousou em Viena. O outro, de Milão para Bucareste, chegou ao destino e foi revistado sem que nada fosse achado. A polonesa LOT teve um voo revistado em Bruxelas e outro parado na pista em Varsóvia antes de decolar para Paris. Em Madri, três voos foram afetados, e as autoridades espanholas descartaram risco. A polícia tcheca relatou ameaças contra quatro voos com destino a Praga.

Segunda onda na mesma semana

As ameaças desta quinta repetem o roteiro de terça-feira (3), quando ao menos sete voos foram alvo de alertas falsos. Naquele dia, o aeroporto de Varsóvia-Modlin, na Polônia, chegou a fechar depois do pouso de um avião da LOT vindo de Londres. Na ilha grega de Syros, o navio de cruzeiro Crown Iris, com cerca de 1.500 passageiros e tripulantes, foi esvaziado depois de um telefonema que dizia haver explosivo preso ao casco. Nada foi encontrado.

Na segunda-feira (2), um voo da Wizz Air de Londres para Sófia já tinha sido desviado para Budapeste, escoltado por caças húngaros, depois de uma ameaça recebida em pleno voo.

O que dizem as autoridades

O comissário europeu de Transportes, Apostolos Tzitzikostas, chamou de inaceitáveis as ameaças contra civis, mas evitou ligar os casos. “É cedo demais para tirar conclusões sobre se os incidentes relatados estão ligados”, disse em entrevista coletiva em Bruxelas. Ele acrescentou que ainda não há informação sobre se se trata de um ataque cibernético.

Nenhum governo apontou culpados. Autoridades europeias vêm acusando Rússia e Irã de “ataques híbridos” e sabotagem no continente, o que os dois países negam. As investigações seguem na França, na Itália, na Espanha e na República Tcheca.

Redação Território
Redação Território

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