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Território Sábado, 24 de outubro de 2026

Mundo

Paraguai entra na Pax Silica, aliança de IA dos EUA, e Brasil de Lula fica de fora

Chanceler paraguaio assina adesão em Washington; ao lado de Itaipu, data center americano pode chegar a 280 MW

Paraguai entra na Pax Silica, aliança de IA dos EUA, e Brasil de Lula fica de fora
Reprodução/Poder360

O Paraguai virou nesta sexta-feira (23) o 26º país signatário da Pax Silica, a aliança de inteligência artificial liderada pelos Estados Unidos. O chanceler Rubén Ramírez Lezcano assinou a adesão no Departamento de Estado, em Washington, ao lado do subsecretário de Estado Jacob Helberg. O Brasil de Lula está fora.

A adesão veio um dia depois de um anúncio que coloca o vizinho no mapa da IA. A americana Crusoe e a paraguaia Araico vão erguer um data center ao lado da subestação de Itaipu, a usina que o Brasil divide com o Paraguai. A primeira fase deve entrar em operação em meados de 2027, com caminho para 106 megawatts de capacidade de computação. No longo prazo, o projeto pode chegar a cerca de 280 megawatts.

“Este projeto tem potencial para ser o maior investimento estrangeiro privado da história paraguaia”, afirmou o vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, em comunicado da empresa.

O que o Paraguai assinou na Pax Silica

Segundo o Departamento de Estado, Estados Unidos e Paraguai “reafirmaram seu compromisso de aproveitar os minerais críticos e a energia hidrelétrica do Paraguai”. O governo americano descreve a iniciativa como voltada à infraestrutura para superinteligência nas Américas.

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A Pax Silica foi lançada por Washington em dezembro de 2025. Reúne países e empresas em toda a cadeia da tecnologia: da extração de minerais aos chips, dos data centers à energia. Em março, o Departamento de Estado disse que pretende trabalhar com o Congresso americano para destinar US$ 250 milhões a um fundo da Pax Silica para minerais críticos, infraestrutura e semicondutores.

O comunicado não traz valor de investimento específico para o Paraguai nem cronograma de desembolso.

Energia de Itaipu vira investimento americano

No projeto da Crusoe, a Araico cuida do desenvolvimento local e da infraestrutura do terreno. A Crusoe administra e opera os equipamentos de processamento da sua nuvem. O data center vai atender clientes nos Estados Unidos e na América Latina.

O presidente paraguaio, Santiago Peña, comemorou. “Esta parceria entre a Crusoe e a Araico destrava diretamente novo valor dos nossos recursos naturais”, afirmou no anúncio do projeto.

O cofundador e presidente da Crusoe, Cully Cavness, disse que a empresa busca construir infraestrutura digital onde a energia é abundante e acessível. O presidente da Araico, Alejandro Zuccolillo, falou em transformar a abundância de energia do país em crescimento industrial de alta tecnologia, empregos locais e inovação digital.

A energia que alimenta o projeto sai da mesma usina binacional que abastece boa parte do Brasil. Do lado paraguaio, ela já virou moeda para atrair dinheiro americano.

Brasil fora da Pax Silica e do Escudo das Américas

O Brasil não está na Pax Silica. Também ficou fora do Escudo das Américas, a iniciativa de segurança regional promovida por Donald Trump contra o crime organizado e o narcotráfico. O Paraguai participa das duas.

Enquanto Assunção assina em Washington e fecha projeto de IA na fronteira, o governo Lula assiste de fora à corrida por data centers, chips e minerais críticos na região. O vizinho, com economia muito menor, chega primeiro à mesa dos americanos usando a energia da usina que divide com o Brasil.

O próximo passo está marcado: a primeira fase do data center ao lado de Itaipu deve ligar em meados de 2027.

Redação Território
Redação Território

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