Hackers roubam US$ 6,3 bi da Binance no maior ataque cripto da história
Dinheiro saiu em cerca de 20 minutos. Saques seguem suspensos, US$ 3 bi foram congelados e rastreadores apontam a Coreia do Norte
Hackers tiraram cerca de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas da Binance, a maior corretora do setor no mundo, na noite desta quinta-feira (29). A maior parte do dinheiro saiu em uns 20 minutos, a partir das 17h05 de Brasília. É o maior roubo da história das criptomoedas.
O recorde anterior era da Bybit, que perdeu US$ 1,5 bilhão em fevereiro de 2025. O golpe na Binance é cerca de quatro vezes maior.
A corretora suspendeu os saques, diz ter congelado cerca de US$ 3 bilhões com ajuda de parceiros e promete cobrir todas as perdas dos clientes. O resto segue nas mãos dos invasores.
Como foi o ataque dos hackers à Binance
Os recursos saíram de carteiras da Binance em dez blockchains diferentes. Uma segunda leva, por volta das 20h05 de Brasília, atingiu carteiras nas redes Avalanche e Polygon. A preparação começou pelo menos 36 horas antes, segundo a empresa de rastreamento TRM Labs.
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A primeira apuração interna aponta para o notebook invadido de um engenheiro da área de operações. “Nossa investigação inicial sugere que este incidente de segurança pode ter começado com o laptop comprometido de um engenheiro de DevOps”, disse o CEO da Binance, Richard Teng.
Depois, a empresa recuou da explicação simples. Disse ter achado “pontos adicionais de violação” e que o invasor não usou apenas as permissões de um funcionário. “Não foi uma ação de ‘um clique'”, afirmou Teng. A Binance diz não ter encontrado sinal de vazamento de chave privada das carteiras.
Quem está por trás do ataque dos hackers
A TRM Labs atribui o ataque, com “alta confiança”, ao TraderTraitor, unidade de hackers da Coreia do Norte ligada ao grupo Lazarus. A Chainalysis, outra empresa de rastreamento, aponta o mesmo grupo.
É uma avaliação de empresas privadas. Nenhum governo confirmou a autoria até a manhã desta sexta-feira (30). A Binance diz que não atribuiu responsabilidade a ninguém.
O grupo tem histórico. O FBI atribuiu a ele o roubo da Bybit em 2025. A TRM também liga o caso da Binance a um ataque à plataforma KelpDAO, em abril deste ano, pelo mesmo padrão: preparação antecipada e assinaturas obtidas com antecedência.
Para onde foi o dinheiro
Parte das moedas roubadas era de stablecoins, que podem ser travadas por quem as emite. A Tether congelou cerca de US$ 1,77 bilhão em USDT e a Circle, cerca de US$ 825 milhões em USDC, segundo a TRM.
O resto escapou. O invasor ainda controla mais de 420 mil ether e 18.270 bitcoins, cerca de US$ 2,4 bilhões fora do alcance de qualquer bloqueio. Antes dos congelamentos, vendeu cerca de US$ 325 milhões em USDT com desconto de mais de 10% para trocar por ether. Os bitcoins estão sendo fracionados em pequenas transferências para apagar o rastro.
A expectativa da TRM é que o próximo passo use pontes entre blockchains, serviços de troca e balcões de negociação para lavar o restante.
O que acontece com os clientes
A Binance afirma que vai cobrir todas as perdas com o SAFU, fundo de emergência criado para esse tipo de caso, e com recursos próprios. “Seu dinheiro está seguro, e estamos cobrindo cada perda”, disse Teng.
Os depósitos voltaram a funcionar normalmente na manhã desta sexta. Os saques seguem suspensos enquanto a corretora refaz a segurança do serviço e dos endereços ligados a ele. A previsão da empresa é retomá-los em cerca de 45 horas.
Teng prometeu publicar um relatório técnico completo quando a investigação terminar.
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