‘Kirk-aversary’: filha de brasileira ironiza morte de Charlie Kirk em poema
Estudante leu versos sobre 'um tiro no pescoço' em evento da Turning Point no Texas, disse estar 'feliz' com isso e virou alvo de revolta nos EUA
Uma estudante filha de mãe brasileira e pai espanhol subiu ao microfone num evento da Turning Point USA na Universidade do Texas em San Antonio (UTSA) e leu um poema que zomba do assassinato de Charlie Kirk. Nos versos, ela fala em lembrar “solenemente” de “um tiro no pescoço”, a forma como o ativista conservador foi morto.
Kirk, fundador da Turning Point, foi assassinado em 10 de setembro de 2025, durante um evento na Universidade Utah Valley, em Utah. O poema chama a data de “Kirk-aversary”, trocadilho com a palavra aniversário em inglês.
O vídeo foi publicado pelo ativista conservador Christian Collins, que gravou a cena, e se espalhou pelas redes nos Estados Unidos. A universidade diz que a fala não representa os valores da instituição e analisa o caso.
O que diz o poema da filha de brasileira sobre Charlie Kirk
A estudante se apresentou no microfone como “Pamper Baby”. O texto imita o clássico natalino americano “A Visita de São Nicolau” e transforma o assassinato em festa.
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“It was the night before the Kirk-aversary and all through the house, not a creature was stirring, not even a mouse”, começa a leitura (“Era a noite antes do Kirk-aversário e, em toda a casa, nenhuma criatura se mexia, nem mesmo um rato”).
Depois vem o trecho que revoltou os conservadores: “The flags were hung proudly, the memes all on deck, as we solemnly remembered a shot to the neck” (“As bandeiras penduradas com orgulho, os memes todos a postos, enquanto lembrávamos solenemente de um tiro no pescoço”). O poema fecha com “for tomorrow, dear friends, is the great Kirk-aversary” (“pois amanhã, queridos amigos, é o grande Kirk-aversário”).
O evento era o Pick Up the Mic, formato da Turning Point em que estudantes vão ao microfone aberto para debater com ativistas conservadores.
“I’m thrilled”: a resposta a Collins
Ao fim da leitura, Collins perguntou: “Are you happy with yourself now?” (“Você está feliz consigo mesma agora?”). A estudante respondeu: “I’m thrilled” (“Estou radiante”).
Ela ainda provocou o ativista. Disse que ele era “brave for being out here, no protection… no neck brace” (“corajoso por estar aqui, sem proteção… sem colar cervical”), outra referência ao tiro que matou Kirk. Collins encerrou a conversa com: “I’ll pray for you” (“Vou rezar por você”).
Kirk foi morto exatamente nesse tipo de evento: um debate aberto com estudantes, em um campus, ao ar livre.
Universidade apura e governo Trump ameaça vistos
O porta-voz da UTSA, Joe Izbrand, disse que “os sentimentos expressos não refletem os valores” da universidade. Segundo ele, o caso é analisado pelas regras de conduta estudantil, e a lei federal de privacidade de alunos impede a instituição de comentar qualquer punição.
A cúpula do sistema da Universidade do Texas também reagiu. O presidente do Conselho de Regentes, Kevin Eltife, e o chanceler John Zerwas afirmaram que “não vamos tolerar a incitação à violência ou a ameaça de incitação à violência”.
A estudante não respondeu aos pedidos de entrevista sobre o caso.
O governo americano já deixou claro o que pensa de quem comemora a morte de Kirk. Depois do assassinato, o vice-secretário de Estado, Christopher Landau, afirmou que estrangeiros que celebram o crime podem ser investigados e ter o visto revogado. Não há confirmação de que a estudante tenha visto americano nem de qualquer medida do governo contra ela.
O que vem depois
A UTSA não informou prazo para concluir a análise. No campus, o histórico pesa: quando Kirk morreu, a seção local da Turning Point reuniu mais de mil pessoas numa vigília na Sombrilla Plaza, no centro da universidade.
No Texas, a agência estadual de educação já investigou professores e funcionários por comentários nas redes sobre a morte do ativista no ano passado. Agora, mais de um ano depois do crime, a pressão de conservadores é para que a universidade trate o poema da mesma forma.
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