Ives Gandra diz que, com Alcolumbre no Senado, ‘Moraes está garantido’ no STF
Para o jurista, o futuro do ministro depende mais de quem comandar a pauta do Senado em fevereiro do que da reeleição de Lula
O jurista Ives Gandra da Silva Martins afirmou que a permanência de Alexandre de Moraes no Supremo Tribunal Federal depende mais de quem vai presidir o Senado do que da reeleição de Lula (PT). E apontou o nome que mantém o ministro intocado: Davi Alcolumbre (União-AP).
“Se for o Alcolumbre, o Alexandre de Moraes está garantido. Se for um outro mais conservador, evidentemente que corre o risco”, disse Gandra em entrevista divulgada no fim de semana.
A eleição para a presidência do Senado acontece em 1º de fevereiro de 2027, na abertura da nova legislatura. Para Gandra, é ali que se decide a batalha principal sobre o Supremo.
O que Ives Gandra disse sobre Alcolumbre e Moraes
O argumento do jurista é a pauta. Segundo ele, o presidente do Senado tem “o poder absoluto de definir a pauta”. É ele quem decide se um pedido de impeachment contra ministro do STF anda ou fica parado.
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Com um conservador na cadeira, afirmou Gandra, haveria processo de impeachment contra Moraes. Com Alcolumbre, não há espaço para isso.
O jurista lembrou que cerca de um terço dos senadores é do PL e defende abrir o processo. Mas, na leitura dele, o número de votos pesa menos do que o controle da Mesa. Sem a assinatura do presidente da Casa, os pedidos não chegam ao plenário.
Pedidos parados na gaveta
O histórico de Alcolumbre dá peso à fala. Em janeiro de 2021, no fim do primeiro mandato como presidente do Senado, ele arquivou todos os pedidos de impeachment pendentes contra ministros do STF.
De lá para cá, Moraes virou o alvo preferencial. Desde 2021, o ministro acumula 50 pedidos de impeachment no Senado, de um total de 102 contra integrantes da Corte, segundo levantamento divulgado em maio. Nenhum andou.
Em maio, a oposição apresentou mais um pedido, depois que Moraes suspendeu a Lei da Dosimetria para os condenados pelo 8 de Janeiro. O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), disse que o pedido “está adormecido na gaveta” de Alcolumbre.
“Mais de 42 assinaturas de apoio, ou seja, mais da metade do Senado apoia”, afirmou Portinho. “Agora só falta a vontade política do presidente.”
O que vem depois
A disputa pelo comando do Senado em 1º de fevereiro passa a ser, na leitura de Gandra, um plebiscito sobre Moraes. De um lado, um Senado disposto a manter tudo como está. Do outro, a pressão para que o ministro responda pelos próprios atos.
Se Alcolumbre continuar no cargo, os pedidos tendem a seguir na gaveta. Se um nome conservador vencer, a pauta do impeachment pode, pela primeira vez, chegar ao plenário.
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