Governo Elmano (PT) leva água a Banabuiú sob escolta após ameaça do Comando Vermelho
Comerciantes pararam de vender garrafões depois de 'edital' atribuído à facção; escola ficou sem aula por falta de água e o suposto mandante está no Rio
No Ceará governado por Elmano de Freitas (PT), comprar um garrafão de água em Banabuiú virou operação policial. Desde a sexta-feira (30), a Cagece, companhia de água do Estado, leva os garrafões até a cidade do Sertão Central em comboio escoltado pela Polícia Militar. Os comerciantes locais pararam de vender por medo de represálias de criminosos que se apresentaram como integrantes do Comando Vermelho.
Segundo registros policiais, a extorsão chegou a R$ 200 de pagamento único para o comércio funcionar e a taxas semanais de até R$ 750 no setor de distribuição de água. Quem não pagasse “sofreria consequências”, dizia o comunicado que circulou na cidade.
O primeiro carregamento, com cerca de mil garrafões, chegou no sábado (31). Moradores fizeram fila na Praça da Igreja Matriz para comprar água. Banabuiú tem cerca de 17 mil habitantes e fica a aproximadamente 220 km de Fortaleza.
Escolta da PM para levar água a Banabuiú após ameaça do Comando Vermelho
A cronologia mostra que a facção agiu por quase duas semanas antes de a cidade ter água sob proteção do Estado. Em 19 de outubro, circulou um documento chamado “Edital Banabuiú”, assinado por uma “Diretoria Banabuiú”. O texto exigia autorização do grupo para vender ou distribuir água, proibia uma marca de água mineral e ameaçava confiscar garrafões e fechar estabelecimentos.
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Nos dias 20 e 21, as cobranças passaram para aplicativos de mensagem. No dia 21, uma escola pública municipal suspendeu as aulas por falta total de água.
Os empresários procuraram a polícia e foram orientados a não pagar. Sem garantia de segurança, preferiram fechar as portas. “Os fornecedores não querem, com uma certa razão, se expor”, disse o prefeito Marcílio Coelho (PSB). Ele chamou a operação com a Cagece de medida “paliativa” e afirmou que ela vai durar “enquanto for necessário”.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), a Cagece recolhe os garrafões nos fornecedores e os transporta até o município. O transporte será retomado nesta terça-feira (3), com entregas diárias até sábado (7).
Três presos, seis foragidos e mandante no Rio
Em 22 de outubro, uma operação prendeu em flagrante três suspeitos por extorsão e ameaça: Cícero Kevin Gomes Farias, apontado como operador de agiotagem e já réu por tráfico; Francisco das Chagas de Lima da Silva, o “Chico Motos”, em cuja casa a polícia diz ter apreendido revólver e munições; e Carlos Fernando da Silva Andrade, que seria responsável por recolher e administrar o dinheiro extorquido e já foi condenado a 11 anos por tentativa de homicídio.
Foram apreendidos um revólver calibre 38, munições, dinheiro, seis celulares e um notebook. O juiz Maycon Robert Moraes Tomé negou a liberdade e converteu as prisões em preventivas. Na decisão, descreveu os suspeitos como parte da “engrenagem financeira de um verdadeiro sistema de domínio social e econômico” imposto pela facção à cidade. Segundo o magistrado, policiais militares pediram para não ter o nome exposto por medo de represálias contra eles e suas famílias.
Outros seis suspeitos, entre eles o líder local da facção, fugiram e são procurados. O suposto mandante das ameaças foi identificado pela Polícia Civil e, segundo a SSPDS, está no Rio de Janeiro. O nome dele não foi divulgado.
O que vem agora
A SSPDS afirma que reforçou o policiamento em Banabuiú com Força Tática, motopatrulhamento e outras unidades da PM, com apoio aéreo. A Polícia Civil do Ceará trabalha com a do Rio de Janeiro para prender o mandante, sem prazo definido.
Enquanto isso, a rotina da cidade segue ditada pelo medo: as distribuidoras continuam fechadas, e a água só chega a Banabuiú dentro de caminhão do governo cercado por viaturas. O próprio prefeito admite que não há data para o comércio voltar a vender por conta própria.
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