Tereza Cristina mantém candidatura e desafia Alcolumbre, candidato do governo no Senado
Senadora do PP resiste à pressão do próprio partido, lembra que o voto é "livre, soberano e secreto" e aposta em ser a terceira via na eleição de 1º de fevereiro
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) não recua. Mesmo com a cúpula do próprio partido fechada com Davi Alcolumbre (União-AP), ela mantém a candidatura à presidência do Senado contra o atual presidente da Casa, o candidato governista na disputa.
Ex-ministra da Agricultura, Tereza resiste às articulações para tirar o nome da corrida e segue no páreo, pelo menos por enquanto. A eleição para o comando do Senado é em 1º de fevereiro de 2027, no início da nova legislatura, com voto secreto dos senadores.
A aposta dela é ser a terceira via entre Alcolumbre e o líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), atraindo votos da oposição e de partidos do Centrão insatisfeitos com a reeleição do atual presidente.
Tereza Cristina enfrenta Alcolumbre e o próprio partido no Senado
O obstáculo de Tereza está dentro de casa. O PP forma federação com o União Brasil, partido de Alcolumbre. Na terça-feira, 27 de outubro, os presidentes nacionais das duas siglas, Ciro Nogueira (PP) e Antonio Rueda (União Brasil), anunciaram apoio à permanência de Alcolumbre no comando do Senado e do Congresso. A nota da federação União Progressista falou em “estabilidade institucional e equilíbrio político”.
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Tereza reagiu no X. Lembrou que o voto de cada senador é “livre, soberano e secreto” e avisou que vai continuar conversando com os colegas.
“Como líder veterana, estarei aqui para receber meus colegas, especialmente as 12 novas integrantes da bancada feminina”, escreveu a senadora. “Quero ouvir todos, como sempre fiz, pois o diálogo no Parlamento é tudo.”
Para os aliados, é justamente esse trânsito que dá força ao nome dela. A avaliação no grupo é que Tereza conversa com todos os setores do Senado e pode conquistar senadores do Centrão que resistem a Marinho, mas também não querem mais quatro anos de Alcolumbre.
Conversa com Rogério Marinho terminou sem acordo
Na semana passada, Tereza e Marinho se reuniram para tentar unificar a oposição em uma candidatura só contra Alcolumbre. A ideia era que um dos dois saísse da disputa. Não houve acordo, e os dois seguem candidatos. Marinho lança oficialmente o nome nesta quarta-feira, 4 de novembro.
A diferença entre os dois está na pauta. Marinho quer fazer do impeachment de ministros do STF a principal bandeira da campanha e a prioridade do Senado no ano que vem. Tereza não se opõe aos pedidos contra ministros do Supremo, mas defende que o tema não seja a prioridade da Casa e propõe uma agenda mais ampla, com reformas na economia.
Os dois rejeitam a linha de Alcolumbre, que é barrar a pauta de impeachment de ministros do STF.
A estratégia de Tereza é ficar na disputa para ganhar musculatura e, mais adiante, convencer Marinho a desistir e apoiá-la. Segundo aliados da senadora, nem Alcolumbre nem Marinho têm hoje os 41 votos necessários para vencer, e há nomes de senadores que aparecem na contagem dos dois lados.
O que vem até a eleição de 1º de fevereiro
O próximo passo é o lançamento de Marinho nesta quarta. A partir daí, a oposição terá dois nomes na rua contra o candidato do Planalto, e a divisão pode espalhar os votos dos senadores insatisfeitos com Alcolumbre.
É aí que o voto secreto pesa. Na urna fechada, o acordo fechado entre Ciro Nogueira, Rueda e Alcolumbre não garante a fidelidade da bancada. É nisso que Tereza aposta para derrotar o nome do governo e mudar a relação do Senado com o Supremo.
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