‘Vamos trabalhar com os democratas’: Trump aceita resultado das midterms
Presidente americano parabeniza a oposição, prevê acordo no Congresso e diz que a derrota não é um golpe contra ele. Mas avisa com um boné: VETO.
Donald Trump aceitou o resultado das midterms, as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, e estendeu a mão aos adversários. “Estou absolutamente disposto a aceitar esses resultados”, disse o presidente em entrevista por telefone na noite de terça-feira (3), enquanto a apuração ainda corria.
Na mesma conversa, Trump foi direto sobre o que vem pela frente: “Vamos trabalhar com os democratas”. E completou: “Provavelmente chegaremos a algum acordo”.
Pelas projeções da apuração, os democratas ficam com a maioria na Câmara e no Senado. A partir de agora, os projetos da Casa Branca dependem de negociação com a oposição.
Trump aceita resultado das midterms e parabeniza a oposição
Na quarta-feira (4), em entrevista à TV americana, Trump repetiu o tom. “Bem, digo o seguinte: parabéns aos democratas. Eles fizeram um bom trabalho”, afirmou.
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O presidente rejeitou a leitura de que a votação foi um recado contra o governo. “Não vejo isso como um golpe contra mim”, disse. E defendeu o próprio mandato: “Vivemos os dois melhores anos da história da Presidência em termos de economia e de todas as coisas que fizemos”.
Perguntado sobre nomes republicanos para a sucessão em 2028, Trump disse ver um “bom banco” no partido. “Acho que temos um grupo incrível de talentos. Não quero falar sobre indivíduos porque ainda é um pouco cedo para isso.”
Trump também deixou claro que a posição sobre o resultado pode mudar.
O boné do VETO e a conta da derrota
A mão estendida veio com um aviso. Na Truth Social, Trump publicou a imagem de um boné vermelho com uma única palavra: VETO. O recado é que projeto do novo Congresso que desagradar à Casa Branca pode parar na caneta do presidente.
Na rede, Trump também cobrou a fatura da derrota. “Eu não estava na cédula eleitoral e, se estivesse, teríamos vencido COM UMA VITÓRIA ESMAGADORA!”, escreveu.
O presidente mirou o governador do Texas, Greg Abbott, derrotado pela democrata Gina Hinojosa. Para Trump, Abbott virou um “RINO”, sigla usada para republicano só no nome. “Ele voltou à sua fórmula original, e o resultado não foi nada bonito!”, escreveu.
Sobrou até para a Fox News. Segundo Trump, a emissora “tem responsabilidade por essas derrotas, ao dar espaço constante e consistente à oposição ‘dumocrata'”.
Em outra entrevista por telefone, o presidente admitiu que a guerra no Irã pesou “uma parte” nas perdas do partido.
Texas e Senado no centro do resultado
O Texas, reduto republicano, concentrou as surpresas da noite. Além da derrota de Abbott, o democrata James Talarico foi projetado vencedor da disputa pelo Senado contra Ken Paxton, procurador-geral do estado. Trump disse que “não tinha escolha” ao apoiar Paxton.
As midterms renovaram todas as cadeiras da Câmara e um terço do Senado. Com as duas casas nas mãos da oposição, os dois últimos anos do mandato de Trump passam a depender de acordo no Legislativo, ou do veto que o próprio presidente já exibiu.
Os eleitos tomam posse em janeiro.
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