‘Venceríamos de lavada’: Trump reage à vitória democrata no Congresso
Presidente americano diz que não estava na cédula, nega ter sofrido um golpe pessoal e promete usar o veto contra a nova maioria
Donald Trump reagiu à vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos com um recado direto. “Eu não estava na cédula e, se estivesse, a gente teria vencido de lavada”, escreveu o presidente no Truth Social na noite de terça-feira (3).
Pelas projeções das principais redes americanas, os democratas conquistaram a maioria na Câmara e no Senado. O novo Congresso toma posse em janeiro de 2027, em Washington. A apuração ainda não terminou nas disputas mais apertadas, e o tamanho exato das duas maiorias segue indefinido.
Trump admitiu que ficou “um pouco surpreso” com o resultado. Mas avisou que não pretende governar de joelhos: vai usar o poder de veto contra o que a oposição aprovar.
Trump minimiza a vitória democrata no Congresso
Em entrevista ao vivo a uma emissora americana, já na madrugada desta quarta-feira (4), Trump rejeitou a leitura de que a derrota republicana é uma rejeição ao seu governo. “Não encaro isso como um golpe contra mim”, afirmou.
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O presidente defendeu a própria gestão. “Tivemos os dois melhores anos na história da presidência em termos de economia, em termos de tudo o que realizamos”, disse.
Também reconheceu o resultado, sem drama. “Bem, digo o seguinte: parabéns aos democratas”, declarou. “Eles fizeram um bom trabalho. Estavam buscando isso há 11 anos e, finalmente, conseguiram.”
Trump ainda apontou o dedo para dentro do próprio partido. Segundo ele, alguns dos candidatos republicanos que apoiou “lutaram contra mim” durante a campanha.
Em entrevista a um jornal americano, disse estar “absolutamente disposto a aceitar esses resultados” e previu negociação com a nova maioria: “Provavelmente chegaremos a um acordo”.
A arma do veto
O tom conciliador vem acompanhado de uma ameaça clara. No Truth Social, Trump publicou a imagem de um boné com a palavra VETO, sinal de que vai barrar as propostas democratas que dependerem da sua assinatura.
Na entrevista ao vivo, explicou a estratégia. “Depois de alguns meses de vetos, eles vão ligar e dizer: ‘Como a gente consegue aprovar essas coisas?'”, afirmou. Em outra entrevista, transmitida pela internet, foi ainda mais direto: disse que vai usar o veto livremente sempre que achar necessário.
Para derrubar um veto presidencial, o Congresso precisa de dois terços dos votos nas duas Casas.
O mapa da derrota republicana
A noite foi dura para os republicanos em estados que Trump venceu com folga em 2024. No Senado, os democratas tomaram cadeiras no Texas, no Kansas, em Ohio e em Iowa, além de vitórias nas duas Carolinas e no Maine.
No Texas, o democrata James Talarico derrotou o republicano Ken Paxton. Em Ohio, o ex-senador Sherrod Brown venceu Jon Husted e volta ao Senado. No Kansas, os democratas elegem um senador pela primeira vez em 94 anos.
Antes da eleição, os republicanos controlavam o Senado com 53 cadeiras e tinham maioria apertada na Câmara, com 218 deputados. Neste ano estavam em jogo as 435 cadeiras da Câmara e 35 das 100 do Senado.
O que vem depois
Com as duas Casas nas mãos, os democratas ganham poder para travar projetos da Casa Branca, mexer no orçamento, abrir investigações contra o governo e dificultar a aprovação de indicados de Trump, de ministros a juízes federais, inclusive da Suprema Corte.
A contagem continua nas disputas ainda sem definição. O novo Congresso assume em janeiro de 2027. Até lá, Trump governa com a maioria republicana atual e já deixou claro o caminho para os dois últimos anos de mandato: a caneta do veto.
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