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Território Quinta-feira, 5 de novembro de 2026

Política

Bolsonaro pede a Moraes para receber Marinho e Tereza Cristina em casa

Ex-presidente depende do aval do ministro do STF até para conversar com os dois senadores que querem tirar Alcolumbre da presidência do Senado

Bolsonaro pede a Moraes para receber Marinho e Tereza Cristina em casa
Reprodução/g1

A defesa de Jair Bolsonaro pediu nesta quinta-feira (5) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorização para que o ex-presidente receba em casa, em Brasília, os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS). Os dois são pré-candidatos à presidência do Senado.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar. Por isso, precisa da permissão de Moraes, relator do processo que o condenou, até para receber dois aliados e ex-ministros do seu governo. A petição deixa as datas a cargo do gabinete do ministro, de preferência entre terça e quinta-feira. O documento não diz o que vai ser conversado.

O pedido chega no momento em que a direita tenta evitar que a disputa entre os dois divida os votos da oposição e facilite a reeleição de Davi Alcolumbre (União-AP).

O que Bolsonaro pediu a Moraes sobre Marinho e Tereza Cristina

O pedido é simples: duas visitas. Ex-ministro do Desenvolvimento Regional, Marinho é o nome lançado pelo PL. Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, é a aposta do Progressistas. Ambos fizeram parte do primeiro escalão de Bolsonaro.

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Se Moraes autorizar, cabe ao próprio gabinete do ministro marcar os dias dos encontros. A defesa não detalhou a pauta. Mas o contexto é claro: Bolsonaro segue sendo o principal cabo eleitoral da direita, e qualquer acerto entre os dois candidatos passa por ele.

A conta de Marinho contra Alcolumbre

Marinho lançou a candidatura na quarta-feira (4), em reunião com aliados. Ele diz ter pelo menos 40 votos. Para vencer no primeiro turno, são necessários 41.

O PL terá a maior bancada da Casa na próxima legislatura, com 29 senadores, cerca de 35% das cadeiras. Somam-se a eles os três senadores eleitos pelo Novo. O Progressistas, partido de Tereza, terá seis.

“Estamos dentro de um partido que tem um número expressivo de senadores”, disse Marinho.

O senador defendeu que a votação seja aberta, e não secreta como hoje. Chamou a mudança de “recomendável”. O PL ainda não decidiu se vai encampar a proposta, mas o voto aberto colocaria pressão sobre senadores eleitos na onda bolsonarista que poderiam, no segredo da urna, apoiar Alcolumbre.

Sobre o Supremo, Marinho afirmou: “Não seremos candidatos com um tema de impeachment de quem quer que seja, mas de respeito à Constituição.”

Do outro lado, Alcolumbre busca a reeleição e um terceiro mandato no comando do Congresso.

O acordo entre Marinho e Tereza

Tereza Cristina não abriu mão da candidatura. Ela quer ser a primeira mulher a presidir o Senado e aposta num perfil mais conciliador, de olho nos votos do Centrão.

Marinho evita o confronto com a colega. “Tereza tem toda a legitimidade de ser candidata”, disse. Na terça-feira (3), ele já havia anunciado o compromisso entre os dois: “Temos um acordo entre nós: não seremos candidatos um contra o outro”.

Questionado sobre um possível rodízio no comando da Casa, desconversou: “Não vou especular sobre isso”.

O que vem agora

A bola está com Moraes. O ministro decide se autoriza os encontros e, se autorizar, quando eles acontecem.

A eleição para a presidência do Senado está marcada para 1º de fevereiro de 2027. Até lá, a oposição precisa chegar a um nome único para ter chance real de derrotar Alcolumbre. E o homem que pode costurar esse acordo depende de uma canetada do STF para receber os próprios candidatos.

Redação Território
Redação Território

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