‘O socialismo é fascista’: Milei desafia Sánchez em plena cúpula em Madri
Diante do anfitrião espanhol e do rei Felipe VI, o presidente argentino diz que as duas doutrinas odeiam o livre mercado e controlam a imprensa
Javier Milei foi a Madri e disse, na cara do anfitrião, o que pensa da esquerda. “O socialismo é fascista na política e o fascismo é socialista na economia”, afirmou o presidente argentino nesta quinta-feira (5), na sessão plenária da 30ª Cúpula Ibero-Americana, com o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez e o rei Felipe VI na sala.
A frase veio de uma citação do pensador espanhol Salvador de Madariaga, que Milei apresentou numa versão adaptada aos tempos de hoje. Depois, ele foi além: “Essa equivalência entre socialistas e fascistas não é casual. Compartilham o ódio pelo livre mercado, adoram a intervenção do Estado, nacionalizam empresas”.
O clima já estava frio antes do discurso. Na chegada à Galeria das Coleções Reais, ao lado do Palácio Real, Milei e Sánchez trocaram um aperto de mão frio e breve, na recepção comandada pelo espanhol ao lado do rei. No plenário, o espanhol abriu os trabalhos falando de diálogo e cooperação e não citou o argentino.
Milei e Sánchez: por que o socialismo é fascista, segundo o argentino
Milei usou o palco montado pelo governo socialista para fazer uma aula contra o Estado grande. “Ambas as doutrinas concentram nas mãos de uma minoria o controle das decisões individuais”, disse.
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Segundo ele, as duas correntes regulam a economia, controlam os meios de comunicação e se dedicam a espalhar propaganda e doutrinação. O argentino lembrou o lema “tudo no Estado, nada fora do Estado” como retrato dos regimes socialistas.
O recado também mirou a América Latina. Milei atacou governos que “invocam os direitos humanos enquanto encarceram dissidentes e silenciam a imprensa”. E celebrou a virada à direita no continente: Chile, Colômbia e Peru, disse, “impulsionam uma rebelião democrática contra o paternalismo e o abuso do poder”.
O presidente rebateu ainda o rótulo de extrema direita que a esquerda cola em seu governo. Para Milei, quem está à direita não é extremista, e o uso do termo só revela a posição da extrema esquerda.
Sobre as Malvinas, reiterou a disposição de negociar com base nas resoluções da ONU e cobrou do Reino Unido “o respeito pelas regras internacionais”.
Uma rivalidade que vem de longe
O confronto em Madri não é novidade. Em 2024, Milei abriu uma crise diplomática com a Espanha ao chamar de “corrupta” a mulher de Sánchez, Begoña Gómez, investigada por tráfico de influência. Duas semanas antes da cúpula, o argentino chamou o primeiro-ministro de “ditador inadmissível” e “corrupto” e incentivou os espanhóis a “tirar os socialistas a pontapés”.
Nesta visita, a oitava de Milei à Espanha, ele faltou à abertura formal da cúpula e ao jantar oferecido pelos reis no Palácio Real. Em compensação, reuniu-se com Santiago Abascal, líder do Vox, e tinha encontro previsto com Isabel Díaz Ayuso, presidente da Comunidade de Madri e uma das principais vozes da direita espanhola. Ao rei, fez questão de agradecer o convite: “Graças à perseverança de sua majestade”.
Sánchez respondeu depois. Disse-se “zurdo”, como os argentinos chamam a esquerda, e afirmou que “motosserras” e “cortes drásticos” “não constroem nada, apenas destroem”.
O que vem agora para Sánchez
A provocação chega na hora mais delicada para o socialista. A Espanha vai às urnas em 29 de novembro, e as pesquisas apontam vitória da direita, que dependeria do Vox, partido de Abascal, para formar maioria.
A cúpula reúne 22 países, 19 latino-americanos mais Espanha, Portugal e Andorra. Lula não foi a Madri, assim como a mexicana Claudia Sheinbaum. Já os presidentes de direita José Antonio Kast (Chile), Rodrigo Paz (Bolívia), Laura Fernández (Costa Rica) e Nasry Asfura (Honduras) estavam lá, na mesma sala em que Milei comparou o socialismo ao fascismo diante do anfitrião que ele quer ver fora do poder.
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